No vaivém da Cesp, os ganhos superam 260%

14 janeiro 13:10 2011

Ações: Número de negócios foi fora do normal desde anúncio de que Mauro Arce vai presidir a companhia, e só em 2011 papel subiu 11% na bolsa


Enquanto o novo secretário de energia do Estado de São Paulo, José Aníbal (PSDB), confirmava que soluções de possível venda da estatal de geração Cesp estão sendo estudadas, o programa da BM&FBovespa que acompanha o movimento dos mercados trabalhava sem parar e constatava: as oscilações nos números e volumes de negócios das ações da companhia destoavam fortemente de seu histórico recente. Imediatamente a companhia foi questionada e ontem informou à bolsa não saber dos motivos que possam ter feito as ações oscilarem tanto.


Mas os motivos foram estampados em notícias de jornais desde a semana passada e fizeram as ações subirem só neste início de 2011 cerca de 11%. Um ganho três vezes maior do que o marcado pelo Índice Bovespa. A notícia que mais fez o papel da Cesp ser movimentado foi a de que Mauro Arce, o homem que no governo Mario Covas privatizou as companhias de energia, assumirá a presidência da empresa. Por três dias seguidos, desde que o nome de Arce foi confirmado, a ação preferencial B, que tem maior liquidez, movimentou três vezes mais que o usual. As ações ordinárias, que dão direito a voto, no dia do anúncio, quarta-feira, movimentaram cinco vezes mais. No dia seguinte, dez vezes mais. Com o papel apontando para cima.


Alguns investidores comemoram a curva ascendente dos papéis. Principalmente aqueles que compraram ação no fundo do poço, quando chegou a valer R$ 8,09 com o leilão vazio da tentativa de privatização feita pelo governo José Serra (PSDB), em 2008. De lá para cá, o papel se valorizou 268%, levada em conta a cotação de ontem da Cesp, que fechou a R$ 29,85. Mesmo aqueles que chegaram ao papel no ano passado também comemoram.


Na semana passada, a gestora americana BlackRock anunciou que de se desfez de parte de suas ações, o que fez com que reduzisse sua participação na companhia de 5,12% do capital preferencial para 4,8%. Em maio de 2010, o administrador informou que passava dos 5% do total. Nesse período, os ganhos com Cesp somam em torno de 30%. ‘Essas notícias que vão e vêm em torno de Cesp são ótimas para investidor especular na bolsa’, diz um corretor. ‘Só na terça-feira, quando foi dada a notícia de que o governo estadual poderia vender a empresa para Furnas, teve investidor ganhando 8% nas ações ordinárias.’


Os minoritários detentores de ações preferenciais que estão aplicados na companhia há anos, entretanto, não têm nada a comemorar. Santander, Eletrobras e BNDESPar que possuem posições relevantes desde janeiro de 2008, antes da tentativa frustrada de leilão da Cesp, ainda amargam uma desvalorização em seus papéis de quase 40%.


Apesar das notícias que animaram os negócios com a ação, o futuro da empresa, que está paralisada há anos, depende diretamente da decisão em torno da renovação das concessões, como o próprio governador Geraldo Alckmin (PSDB) reiterou nesta semana. A empresa tem um parque gerador de 7.456 MW, o que a coloca entre as maiores geradoras de energia do país. Mas duas das principais usinas, a de Ilha Solteira e a de Jupiá, que representam 67% do total, terão as concessões vencendo em 2015. (Josette Goulart)

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