Governo insiste em R$ 545 e negociação emperra

07 fevereiro 15:34 2011

Por outro lado, ministros garantem política de valorização do salário mínimo e mais quatro anos de correção da tabela do IR


Enroscou a negociação em torno de um salário mínimo maior que R$ 545. Diante da insistência do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em não mexer no valor, as centrais sindicais reafirmaram no início da tarde de hoje que não há acordo possível.


O governo também se recusou a apontar um percentual de correção da tabela do imposto de renda para este ano.


“Há uma visão fiscalista por parte do governo com a qual não concordamos. Para a CUT, não há como aceitar R$ 545”, disse o presidente da Central, Artur Henrique, em entrevista à imprensa ao final da reunião de quase três horas e meia realizada pela manhã entre o movimento sindical e os ministros Guido Mantega, da Fazenda, Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência, e Carlos Lupi, do Trabalho.


Por outro lado, os ministros garantiram que a política de valorização do salário mínimo continuará e que as centrais podem reavaliar os termos do acordo e aperfeiçoá-lo, se necessário, para os próximos anos.


Ofereceram a correção da tabela do imposto de renda para os próximos quatro anos e garantiram que o governo vai criar uma mesa de negociação para elaborar uma política de valorização permanente dos aposentados.


Mas essas três propostas do governo só passariam a dar resultados objetivos a partir de 2012.


“A sinalização que o governo faz é positiva, com isso concordamos. O problema é que os ministros não ofereceram nada para 2011”, diz Artur.


Não foi definida uma data para nova rodada de negociação, mas a possibilidade permaneceu aberta. “Ainda não há acordo”, disse Mantega durante a reunião, o que foi interpretado por muitos dirigentes sindicais como uma brecha na postura até agora inflexível em relação ao valor do salário mínimo.


A CUT foi representada por Artur, José Lopez Feijóo, vice-presidente, Rosane Silva, secretária nacional da Mulher Trabalhadora e por Juvândia Moreira Leite, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

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