Sindicato dos Bancários faz seminário sobre terceirização no Brasil

30 maio 12:02 2011 CUT SP

Seminário foi realizado nasexta (27), na sede do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

 “Trabalhava no banco Santander e, quando demitida, fui para uma empresa terceirizada que prestava serviço para o mesmo banco. Eu atuava na mesma função, mas o salário que antes era de R$ 1.300, passou a ser de R$ 600, e o vale refeição que era de R$ 700, mudou para R$ 150”. Esse depoimento de uma trabalhadora ilustrou o debate sobre os reflexos da terceirização no mercado de trabalho, que aconteceu nesta sexta (27), na sede do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

Diante de um cenário desfavorável para a classe trabalhadora, que sofre constantes ofensivas do capital sobre o trabalho e que sente na pele os impactos causados pela terceirização, o sindicato convidou juízes do trabalho, dirigentes sindicais, parlamentares e trabalhadores para discutir o tema e buscar alternativas para o problema que afeta milhões de trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo.

Usina precarizada

O Presidente da CUT Nacional, Artur Henrique, foi um dos convidados. Ele destacou que a revolta dos trabalhadores na construção da usina de Jirau foi um nítido exemplo de terceirização irresponsável. “Lá, o transporte e a alimentação eram terceirizados. As empresas se eximiam da responsabilidade, dizendo que não podiam melhorar os serviços precários, pois tudo tinha sido acordado em contrato. Em Jirau, são 14 mil operários, sendo que o refeitório não atendia a todos ao mesmo tempo, com isso, muitos tinham que escolher: não comer ou chegar atrasado à volta ao trabalho”.    

Artur ressaltou a importância de atuar no Legislativo para criar leis que proíbam o avanço da terceirização. O dirigente sindical falou, ainda, da sua participação essa semana na reunião da OCDE – único sindicalista brasileiro no encontro realizado em Paris –, onde foi debatido algumas diretrizes da organização sobre direitos humanos e a obrigatoriedade da empresa de pensar na cadeia produtiva. “A responsabilidade não pode ser somente com aquilo que a empresa faz, mas em toda sua cadeia produtiva, com quem se relaciona, de quem adquire seus produtos”.

O Presidente da FETEC-CUT/SP, Luiz César de Freitas (o Alemão), afirmou que nem tudo que está na lei é justo. “Pode ser legal, mas não é justo”, disse, questionando se é justo terceirizar e, consequentemente, precarizar.

A Presidenta do Sindicato dos Bancários, Juvândia Moreira Leite, coordenou os trabalhos e abordou outro problema da precarização da mão de obra bancária: “Nas décadas 80 e 90, os bancos ganharam muito, utilizando o dinheiro dos correntistas em aplicações financeiras. Com o controle da inflação,  alguns serviços bancários, como o pagamento de contas, passou a não interessar mais aos bancos, o que deu início a proliferação de correspondentes bancários, como lotéricas, lojas de departamento e financeiras. Hoje, já são 179 mil correspondentes concentrados na região Sudeste, onde está o maior número de agências bancárias”, informou Juvandia. “Na região Norte, onde há poucas agências, há também poucos correspondentes, dados que evidenciam que os correspondentes estão sendo usados para aumentar o lucro dos bancos e dobrar o patrimônio”.   

Estratégia do Capital

Para o juiz trabalhista, Grijalbo Coutinho, o processo de terceirização foi pensado pelo capital, não só como forma de reduzir o custo de mão de obra, mas também como um projeto político para enfraquecer o trabalho em todas as suas organizações e principalmente partido políticos ligados a classe trabalhadora.

O ex-dirigente sindical e Secretário Especial da Presidência da República, José Lopez Feijóo, lembrou da forma de terceirização ocorrida na Ford. “A empresa tinha como finalidade a produção de automóveis e caminhões, para tanto, começou seu processo de terceirização em áreas que pouco importava, como limpeza, refeitório, segurança”, disse.

Feijóo, que deixou recentemente a vice-presidência da Central Única dos Trabalhadores para assumir um novo desafio na Secretaria Geral da Presidência da República, alertou a platéia, composta por sindicalistas, que um novo modelo de organização sindical seria suficiente para combater problemas como terceirização. “A CUT nasceu para acabar com a velha estrutura sindical brasileira, com o imposto sindical e para fortalecer a organização no local de trabalho. Se tivéssemos conseguido isso, não estaríamos fazendo 90% desse debate”, reforça Feijóo.      

O Deputado Federal Vicentinho (PT/SP) falou da dificuldade em tramitar no congresso o Projeto de Lei que impõe limites a terceirização no país e classificou como positiva a iniciativa do sindicato. “O sindicato está de parabéns em promover este seminário e dá uma demonstração do que é ser um sindicato cidadão de verdade, pois está preocupado não só apenas com os bancários, mas com todos os trabalhadores brasileiros”, enfatizou o parlamentar. 

(Alexandre Gamón)

  Categorias: