6 de Julho: DIA NACIONAL DE MOBILIZAÇÃO DA CUT

6 de Julho: DIA NACIONAL DE MOBILIZAÇÃO DA CUT
06 julho 12:01 2011 CUT Nacional

Em coletiva, Artur Henrique fala do Dia Nacional de Mobilização e anuncia agenda do segundo semestre. Todos às ruas para cobrar um novo modelo de desenvolvimento 

Na manhã de terça-feira (5), o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Artur Henrique, concedeu uma entrevista coletiva na sede nacional da entidade, em São Paulo.

 Acompanhe abaixo os principais trechos:

 Por que mobilizar

Artur destacou que o processo de mobilização ao lado de parceiros dos movimentos sociais – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Marcha Mundial de Mulheres (MMM) e Coordenação dos Movimentos Populares (CMP) –, desde as primeiras horas deste dia 6, em todos os 27 estados do Brasil, terá três grandes objetivos: fortalecer as campanhas salariais do primeiro semestre, dar início à luta das categorias com data-base na segunda metade do ano e dialogar com a sociedade os 3 eixos essenciais da central para 2011.

 Educação, reorganização agrária e sindical

Esses eixos são: ampliação do investimento em educação, reforma agrária e reforma sindical.

 Em relação ao primeiro item, o dirigente destacou que a CUT defende o investimento de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) e 50% dos recursos do pré-sal em todos os níveis do ensino público.

 Artur também defendeu a mudança do modelo de política agrária, que atualmente privilegia o agronegócio, responsável por exportar 80% da produção, em detrimento da agricultura familiar, que produz 70% dos alimentos na mesa dos brasileiros. Prova disso, avaliou, é a destinação dos recursos pelo governo federal. “O programa de financiamento da agricultura familiar – Plano Safra – saltou de R$ 2 bilhões, no governo FHC, para R$ 16 bilhões, no governo Dilma. Mas, para a agenda exportadora do agronegócio ainda é destinado muito mais, R$ 80 bilhões”, criticou.

 Além da redução da jornada para 40 horas semanais sem redução de salários, fim do fator previdenciário, implementação de políticas concretas para qualificação profissional, a CUT defende a mudança da estrutura sindical, com a substituição do imposto sindical por uma contribuição negocial definida em assembleias dos trabalhadores. Assim, saem fortalecidas as entidades realmente representativas e enfraquecidas as que apenas servem para tomar dinheiro do trabalhador.

 Por que não com outras centrais?

“A pauta é parecida, mas não é igual”, lembrou Artur, ao explicar porque a CUT não fará o Dia de Mobilização Nacional ao lado das demais centrais.

 “Primeiro”, explicou, “não concentraremos nossa atuação apenas no Congresso, que não é o único local onde queremos fazer pressão”.

 Ao destacar as propostas, ele lembrou as divergências. Citou, por exemplo, que todas as centrais querem a ratificação da Convenção 151 da OIT – sobre organização e negociação no setor público –, mas incluem na pauta a unicidade e o imposto sindical para o funcionalismo, questões com as quais a CUT não concorda.

 Questionado se o fato da manifestação não ser conjunta enfraquecia a classe trabalhadora, Artur foi enfático: “não, porque quem ganha com nossas reivindicações, como o fim do imposto sindical, é o próprio trabalhador.”

 Fator previdenciário: quem tem proposta?

O dirigente criticou as outras centrais que se posicionam contra o Fator Previdenciário, mas não apresentam alternativas. Ao contrário da CUT, que defende o Fator 85/95 – soma da idade ao tempo de contribuição. Pior, quanto mais tempo para definir um substituto, maior o prejuízo para a classe trabalhadora. “Há dois anos, quando apresentamos a proposta, para se aposentar com 100% dos vencimentos, o trabalhador precisa de 62 anos e 7 meses de contribuição. Hoje, para o obter o mesmo benefício são 64 anos e 2 meses”, disse Artur.

 Ato nos aeroportos

Uma das repórteres insistia em lembrar que a manifestação coincidiria justo com o período de férias. O presidente da Central lembrou que pilotos e comissários não participariam, que uma parte do contingente de trabalhadores seguiria a rotina normal para não prejudicar a população, mas que os atos tem um outro lado, habitualmente esquecido pela velha mídia. “A greve é um direito constitucional e uma manifestação do conjunto da classe trabalhadora. O problema é que quando ocorre um ato no setor de transporte, a imprensa foca só os problemas para a cidade, sequer citam as reivindicações. Evidentemente, se não trouxer nenhum prejuízo para o dono da empresa não é mobilização”, disse.

 Ele citou o próprio setor aeroviário. “Porque não perguntam o motivo da Tam e da Gol oferecerem apenas 0,5% de aumento? Aí, os trabalhadores, que no ano passado já avisavam as empresas sobre a possibilidade da paralisação no Natal, caso não houvesse uma proposta séria na mesa de negociação, é que são culpados?”

 Mudar o foco…mas a luta continua

“As empresas estão batendo recorde de lucro e o discurso agora é que os trabalhadores não podem ter parte desse ganho porque senão teremos um processo inflacionário. Esse não é o nosso discurso, a luta de classes no Brasil e no mundo não acabou”, lembrou Artur.

 Para ele, o país não pode discutir apenas a agenda dos empresários, da desoneração da folha de pagamento, da isenção tributária, mas também a agenda dos trabalhadores. “Vivemos um momento positivo, de geração de emprego, por isso devemos aumentar a mobilização.

 Depois do 6 de julho

Em agosto, com a retomada dos trabalhos no Congresso, o presidente da CUT afirmou que a Central fará uma nova ocupação pacífica da Casa, semelhante a do começo do ano, para cobrar porque passados 6 meses, temas como a PEC 438 – contra o trabalho escravo – e a proposta de redução de jornada sem redução de salário não está na pauta dos parlamentares para ser votada. O movimento sindical também “visitará” o Supremo Tribunal Federal (STF) e o TST (Tribunal Superior do Trabalho) para cobrar maior celeridade nos processos.

 “A CUT irá propor que o empregador que perdeu em primeira instância já tenha que depositar o valor da causa em um fundo. Atualmente, 80% dos processos são resolvidos em primeira instância porque o trabalhador aceita uma acordo muito inferior ao que teria direito para não esperar por anos pela indenização relacionada a um erro cometido pelo empregador”, citou.

 Tudo isso somado às mobilizações de categorias com grande poder de organização dos trabalhadores, como petroleiros, bancários, metalúrgicos, químicos e eletricitários. (Luiz Carvalho)

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