CUT: uma central diferente

CUT: uma central diferente
07 julho 15:55 2011 Cecília Gomes

Sinergia CUT participa do Dia Nacional de Mobilização que reuniu  cerca de 10 mil pessoas na capital paulista

 “Moça, o que é CUT?”. A pergunta foi lançada por um jovem curioso que transitava pelo mesmo caminho que a delegação do Sinergia CUT, após o ato realizado no último dia 06, que reuniu militantes cutistas na Praça da Sé e na Praça do Patriarca, em São Paulo, no Dia Nacional de Mobilização, organizado pela CUT.

A pergunta do rapaz foi respondida com a mesma pressa com que foi feita: “CUT é a Central Única dos Trabalhadores, a maior central sindical do País.” O jovem agradeceu e seguiu a passos apressados. Tivesse o rapaz passado pela Praça da Sé ou pela Praça do Patriarca uma hora antes, entenderia que a CUT não é apenas a maior central, mas também uma central diferente.  Entre as bandeiras que fazem a diferença, a luta pelo fim do imposto sindical. “Não podemos continuar com essa estrutura sindical falida. Temos que acabar com a indústria de sindicatos que são criados não para defender os interesses dos trabalhadores, mas para obter o dinheiro do imposto sindical. Por isso somos contra o fim dessa contribuição compulsória. Lutamos pela liberdade e autonomia sindical. Está em nossos corações. A CUT nasceu por isso.”, afirmou o secretário Nacional de Finanças da CUT Wagner de Freitas .

Outra importante bandeira de luta defendida por Freitas durante o ato foi o combate à precarização e à terceirização, que nesse momento necessita de intensa pressão dos sindicatos cutistas para impedir a tramitação de projetos que disseminam as terceirizações no Brasil. “O Congresso não tem vontade política porque muitos parlamentares são donos de empresas que querem continuar a precarizar as condições de trabalho e fazer da terceirização um meio de exploração”.

O deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT), participou do ato e destacou que a mobilização organizada pela CUT fortalece o projeto de lei de sua autoria. “Essa mobilização é de extrema importância porque põe os trabalhadores como protagonistas das mudanças necessárias no país. Infelizmente temos um congresso burguês.  Existem muitos deputados, inclusive da base do governo, que na hora de decidir questões importantes como a regulamentação das terceirizações, ficam contra os trabalhadores. Por isso, é preciso ficar atento na hora de votar.”, alertou o deputado federal.

Muito além de uma reforma eleitoral, a CUT defendeu e tornou pública a defesa da reforma política para que os cidadãos possam participar mais ativamente das decisões importantes do município, estado e nação, com maior controle social sobre os partidos e o Estado. A CUT defende também  eleições democráticas com financiamento público de campanha, fidelidade partidária e regulamentação do artigo 14 da Constituição, aquele que prevê instrumentos de democracia direta como referendos e plebiscitos.

Para Marcelo Fiorio, secretário de Organização Sindical da CUT São Paulo e dirigente do Sinergia CUT, o ato realizado em todo país tem uma importância fundamental para mostrar à sociedade a agenda positiva estabelecida pela CUT. “Nós, trabalhadores, precisamos ter clareza que precisamos lutar por nossas propostas. O congresso aprovou na comissão da câmara de deputados um Projeto de Lei que aprofunda a terceirização. Nós, trabalhadores energéticos sabemos muito bem que a terceirização trouxe agravamento e aumento na quantidade de acidentes de trabalho. Precisamos pressionar para reverter  esse projeto de lei que autoriza e legitima a precarização. Juntamos nossas bandeiras com o movimento social para mostrar à sociedade que é preciso avançar num agenda positiva e não uma agenda que recue os benefícios adquiridos pela sociedade brasileira. A gente luta por trabalho digno, descente.”, destaca Fiorio.

Dirigentes do Sinergia CUT integraram a passeata até a Praça do Patriarca, colorindo de vermelho as ruas e o céu da cinza manhã da capital paulista. Sindicatos  de todo o estado de São Paulo, de diversos ramos, participaram do ato, assim como políticos comprometidos com as lutas da CUT, como o deputado federal Vicentinho (PT), os deputados estaduais  Edinho  Silva  e Carlos Grana (PT), o vereador  de São Paulo Donato (PT). O Dia Nacional de Mobilização da CUT contou com a participação dos movimentos sociais como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) a Marcha Mundial de Mulheres e CMP (Central de Movimentos Populares).

O Secretário Geral do Sinergia CUT Carlos Alberto Alves avaliou positivamente o Dia Nacional de Mobilização. “Estamos aqui para dizer que não aceitamos o argumento dos patrões de que o aumento de salário gera inflação. Querem imputar aos trabalhadores uma responsabilidade que não é nossa. Este tipo de atividade é muito importante para que a gente possa dialogar com a sociedade, apresentar as propostas da CUT.  A classe trabalhadora do Brasil inteiro está se manifestando sobre uma plataforma discutida há mais de um ano e que tem, entre outros pontos, a defesa do trabalho descente, o combate à terceirização,o  fim do Fator Previdenciário, a política de valorização do salário mínimo e o fim do imposto sindical que é um imposto maléfico, que não dá a opção aos trabalhadores para que eles possam efetivamente se organizar. Estamos todos juntos nessa luta.”, concluiu o Secretário Geral.

O Dia Nacional de Mobilização ocorreu em diversas cidades brasileiras. O presidente nacional da CUT, o eletricitário Artur Henrique, participou do ato no Pará, onde a central e o MST  fizeram mobilizações para chamar a atenção sobre a questão da reforma agrária e da violência no campo que vitimou lideranças de movimentos ligados à agricultura familiar, assinados no em junho deste ano, por conflitos agrários.Segundo a assessoria de imprensa da CUT Nacional, participaram do ato na Capital Paulista 10 mil pessoas.

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