Sinergia CUT defende o controle social sobre a energia em audiência pública realizada em Araraquara

Sinergia CUT defende o controle social sobre a energia em audiência pública realizada em Araraquara
03 agosto 14:49 2011 Cecília Gomes

Expectativa do presidente do Sinergia CUT era de que o Ministério Público e as agências reguladoras participassem da audiência

Cerca de 160 pessoas lotaram o auditório da Associação Comercial e Industrial de Araraquara (Acia), na última sexta-feira (30) para acompanhar a audiência pública que discutiu a qualidade dos serviços prestados pela CPFL na região de Araraquara. O Sinergia CUT participou da audiência fazendo uma exposição sobre a realidade do setor energético pós privatizações e o momento atual, em que a holding passa a praticar a terceirização de atividades internamente dentro próprio grupo, o que afeta não só os consumidores, mas, principalmente, os trabalhadores.

Apesar do grande número de interessados no debate, o presidente do Sinergia CUT Jesus Francisco Garcia lamentou a ausência de órgãos reguladores como a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) e, principalmente, do Ministério Público, o que fez com que a audiência assumisse o caráter de diálogo entre empresa e população. “As urgências e necessidades apresnetadas pela população durante a audiência comprovam a lacuna deixada pelo fechamento dos postos de atendimento”, avaliou o presidente do Sinergia CUT.

Entre os problemas apontados pela população estão os apagões registrados nas cidades de Ribeirão Bonito, Trabiju, Boa Esperança do Sul, Dourado, Nova Europa e Gavião Peixoto. Segundo a CPFL, essas ocorrências são resultado de furtos de cabos transmissores de eletricidade.

Outro problema na região também é o programa CPFL Total, que extinguiu o convênio com a Caixa Econômica Federal para o pagamento de contas, dificultando a vida dos consumidores. “A CPFL tem em mãos uma concessão pública e todas essas mudanças que causam grande impacto na população são responsabilidade da empresa. A criação da CPFL Total, por exemplo, estimula a violência, pois os postos autorizados e os consumidores ficam vulneráveis, tornando-se alvo de assaltos.”, exemplifica Jesus Francisco Garcia.

Em sua intervenção o presidente, chamou a atenção para as manobras adotadas pela CPFL para driblar a fiscalização da Aneel. A criação de empresas dentro de um mesmo grupo representa para o Sinergia CUT uma forma de terceirização, porque reduz salários, benefícios e conquistas históricas da categoria. “O que a holding faz é precarizar com marketing. A criação da CPFL Atende é um exemplo claro disso. A CPFL abriu esta empresa para empregar pessoas com salários muito menores e fechou o Call Center que existia em Campinas. Uma audiência pública como esta deveria ser realizada semanalmente em todas as regiões em que a empresa atua, pois não é todo dia que se tem a possibilidade de apresentar todas as queixas de problemas da CPFL e ouvir do diretor comercial da empresa que tudo está sendo solucionado e recursos estão sendo investidos”, criticou o presidente do Sinergia CUT.

A audiência pública foi organizada pelo deputado estadual Edinho Silva (PT). Jesus Francisco Garcia defendeu o controle social sobre a energia, entregando ao parlamentar uma proposta de projeto de lei para a criação do Conselho Municipal de Serviços Públicos de Energia, elaborado a partir do acúmulo de experiências do Sinergia CUT desde que o governo do PSDB iniciou o Programa Estadual de Desestatização. “A população tem que participar das questões que envolvem este serviço essencial. Levamos ao conhecimento do público da audiência que muitos dos problemas enfrentados pela população hoje são resultado de uma inversão de valores iniciada com o processo de privatização, quando a população deixou de ser tratada a partir do princípio da cidadania para ser encarada como clientela. E o resultado de todo esse processo é a precarização e quem paga são os trabalhadores e consumidores.”, explicou o presidente.

Além do Sinergia CUT participaram da audiência prefeitos de cidades da região de Araraquara, vereadores e população.

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