Fantasma da privatização volta a rondar os brasileiros

Fantasma da privatização volta a rondar os brasileiros
25 agosto 13:38 2011 Cecília Gomes e Débora Piloni

Jornal Valor Econômico traz especulações sobre suposta intenção do governo de privatizar as distribuidoras federalizadas

No dia 22 de agosto o Jornal Valor Econômico publicou uma reportagem com o título “Governo discute privatização de federalizadas” em que “fontes anônimas” da Eletrobras, da Aneel e do Ministério de Minas e Energia defenderam a privatização das distribuidoras de energia do grupo Eletrobras, especialmente da região Norte e Nordeste.

A notícia é veiculada justamente quando os trabalhadores energéticos estão em pleno processo de defesa da renovação criteriosa das concessões do setor elétrico. Em reunião recente no Rio de Janeiro, o presidente da holding anunciou o investimento de cerca de 7 bilhões nos próximos 5 anos nas distribuidoras. Além disso, afirmou que na sua gestão não haveria demissões e muito menos privatização de empresa.

No entanto, a  reportagem fala que os investimentos não surtiram efeito. Mas, a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) contextualiza a realidade das empresas distribuidoras do grupo Eletrobras: “Ao longo do processo de desmanche do setor elétrico nos anos 90, essas empresas que na sua maioria estavam a cargo de gestões estaduais, foram federalizadas exatamente pelo seu caráter estratégico, pois na sua maioria não faziam parte do Sistema Integrado Nacional e requeriam grandes investimentos para a expansão de suas redes, além de arcarem com custos altíssimos para a compra de energia”.

As peculiaridades do Norte e Nordeste do Brasil fazem com que o perigo da privatização dessas empresas seja o de repetir novamente o quadro observado  praticamente em todas as empresas que foram privatizadas: queda na qualidade dos serviços, lucros estratosféricos, tarifas abusivas, demissão em massa, forte terceirização e conseqüentemente aumento no número de acidentes fatais de trabalho.

O  que a reportagem do Valor Econômico não informa é que ao longo dos últimos anos, o Grupo Eletrobras investiu quantias significativas nas distribuidoras e conseguiu trazer um pouco de dignidade aos seus trabalhadores e consumidores.

Segundo dados do último balanço da Eletrobras, a quantidade de energia elétrica fornecida aos consumidores finais de todas as distribuidoras da holding aumentou em 11,8%, assim como houve um crescimento de 5% na base de clientes e de 3% no número de novas ligações.

De uma forma geral, no ano de 2010, as empresas de distribuição do Sistema Eletrobras apresentaram redução dos níveis percentuais de perdas sobre a energia injetada.

E, em 2011, com os recursos financiados pelo Banco Mundial, já está em curso um projeto  de cunho tecnológico que propiciará a redução das perdas e contribuirá para a blindagem de aproximadamente 64% da receita das empresas de distribuição.

Especulações à parte… e bom senso sempre
Para a direção do Sinergia CUT o que está por traz da suposta intenção de privatização do setor anunciada pela reportagem do jornal Valor são os interesses de grupos econômicos que sempre procuram jogar informações dessa natureza na mídia, para assim desestabilizar as distribuidoras, trabalhadores e os consumidores.

“Já vimos essa história da privatização acontecer de fato aqui no estado de SP. E os ‘benefícios’  anunciados pelo então governo tucano de SP tiveram efeito contrário: aumentos expressivos nas tarifas, redução de postos de trabalho, terceirização e precarização das condições de trabalho além do péssimo serviço prestado à população. Exemplo disso são os constantes apagões e a demora no restabelecimento do serviço após temporais”, afirma a direção do Sindicato.

“A energia elétrica deve ser considerada um bem social e essencial e não um produto que se compra em prateleira de supermercado.  Por isso o Sinergia CUT é contra a privatização do sistema Eletrobras, uma vez que as consequências para a população atendida por tais empresas poderão ser piores do que as que vivenciam os paulistas”, conclui.

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