“Resposta à crise se faz com investimentos na produção, no emprego e nos salários, não com aumento do superávit primário”

26 setembro 12:12 2011 CUT Nacional

Quintino Severo destaca papel da 13ª Plenária da CUT para fortalecer o protagonismo do sindicalismo

Quintino Severo, secretário geral da CUT Nacional: hora de fortalecer a ação na baseA 13ª plenária nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que inicia na próxima segunda-feira em Guarulhos-SP, se realiza num momento de definições para o país e o movimento sindical brasileiro. Nesta entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, o secretário geral da CUT Nacional, Quintino Severo, avalia a relevância do evento e dos seus desdobramentos para ampliar direitos e garantir conquistas num momento de turbulências advindas da forma como os estados nacionais têm respondido à crise do neoliberalismo.

A plenária se realiza num período de agudização da crise internacional e, consequentemente, de efervescência de debates sobre os rumos do país. Qual a análise que fazes deste quadro?

A plenária acontece num período de definições, diante do novo momento da crise internacional, onde a nossa Central vai poder debater mais amplamente e apontar resoluções de enfrentamento, priorizando sempre a defesa do mercado interno, o poder de compra dos salários e os direitos da classe trabalhadora. Esta crise é uma continuidade da de 2008, uma fase diferente, com os estados adotando políticas públicas que não enfrentam as suas causas e, portanto, só tendem a agravar os seus desdobramentos. Como os estados gastaram muito dinheiro para salvar bancos em 2008, hoje estão mais fragilizados e, portanto, ainda mais dependentes do sistema financeiro, que agora quer mais.

De que forma isso se reflete no dia a dia das pessoas?

No instante em que os estados, incluindo o Brasil, reduzem a aplicação de recursos em políticas públicas e sociais, comprimem investimentos e arrocham salários, vão na contramão dos interesses nacionais, deixando o país cada vez mais vulnerável. O aumento do superávit primário é exemplo disso, o que significa mais recursos para o pagamento de juros. Nossa ação tem que ir na perspectiva de cobrar dos governos que não joguem sobre os ombros dos trabalhadores o ônus da sua crise, que é reflexo de uma política que tem privilegiado o sistema financeiro, drenando recursos para a especulação e não para a produção. Diferente disso, a CUT defende que é preciso desenvolver instrumentos que fomentem o parque produtivo nacional, o crescimento com distribuição de renda e valorização do trabalho. Para nós, é o mercado interno quem deve ser priorizado, assim como o governo fez em 2008 e que nos possibilitou sermos um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair dela.

Qual o papel do sindicalismo nesta batalha?

Diante de tantos e tamanhos desafios, a questão da organização sindical se reveste de um papel cada vez mais decisivo. Daí a necessidade de nos organizarmos de forma diferenciada, aperfeiçoando a Central para enfrentar a complexidade do novo cenário. Infelizmente, o que está havendo é uma proliferação de sindicatos, com o fracionamento das bases e a sua conseqüente fragilização diante do poder do capital, que está cada vez mais concentrado em grandes grupos econômicos. Daí a importância de fortalecer a organização no local de trabalho, onde o trabalhador está. Isso é importante porque muitas vezes no desespero as pessoas buscam saídas individuais e enxergam apenas o que está mais próximo no seu horizonte. Com o fortalecimento da organização no local de trabalho podemos dar mais elementos políticos e ideológicos para que o trabalhador tenha a dimensão da classe, da sua real potencialidade. Fortalecer a liberdade e a autonomia sindical coloca a nossa intervenção coletiva, de Central, em novo patamar. O atual modelo de unicidade sindical não dá conta desta nova dimensão, é limitado, não visibiliza esta possibilidade. Por isso defendemos o fim do imposto sindical e a sua substituição pela contribuição negocial aprovada democraticamente em assembleia.

De que forma a CUT pretende potencializar a ação das estaduais e dos Ramos para efetivar este novo modelo?

Há um forte sentimento na militância cutista de que é preciso investir muito mais na descentralização da atuação da nossa Central, oxigenar, ampliar espaços. As estaduais precisam ter uma forma de organização regional e local mais vinculada, mais próxima dos Sindicatos e dos próprios trabalhadores, da mesma forma que a CUT Nacional tem a necessidade de investir mais nas estaduais para tornar estas ações possíveis, efetivas e permanentes. Da mesma forma que os Ramos, que também terão papel estratégico na conquista e efetivação desta nova realidade. Assim, esta descentralização vai ajudar as entidades a darem respostas mais ágeis, ao mesmo tempo em que vai ampliar o protagonismo e a democracia nas diferentes instâncias do sindicalismo, respondendo às demandas dos trabalhadores. Este é o principal desafio da nossa 13ª plenária. (Leonardo Severo)

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