Termelétrica da AES Tietê causa revolta na região do Vale do Paraíba

Termelétrica da AES Tietê causa revolta na região do Vale do Paraíba
13 outubro 12:25 2011 Débora Piloni

Empresa conseguiu licença prévia para a construção da obra. Sinergia CUT aponta os efeitos negativos para a população e quer mais debate

No último dia 03, o Sinergia CUT participou de audiência pública na Assembleia Legislativa de SP. Objetivo: debater os efeitos negativos da construção pela AES Tietê da usina termelétrica na cidade de Canas, que fica na região do Vale do Paraíba.

A empresa alega que a decisão pelo município de Canas foi baseada em aspectos técnicos por apresentar proximidade do gasoduto e linha de transmissão, disponibilidade de água e outros aspectos ambientais favoráveis ao projeto.

Isso foi contestado pelo Sinergia CUT e especialistas do setor, que foram unânimes em criticar fortemente a instalação dessa termelétrica. Dentre os motivos apresentados está o local  inadequado, pois a região do Vale do Paraíba fica entre a Serra da Mantiqueira e Serra do Mar, com ausência de ventos significativos. Além disso poderá ocorrer  a concentração da poluição sobre a região e especialmente sobre a cidade de Canas, o que trará graves problemas para a saúde da população  e prejuízos para a agricultura regional.

Licença saiu no dia 11

Segundo informação divulgada pela agência Canal Energia, o Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo aprovou, na última terça (11), a licença prévia para o a termelétrica São Paulo da AES Tietê. O projeto, com 550 MW de capacidade instalada, está cadastrado no leilão A-5, previsto para 20 de dezembro. O investimento do empreendimento está estimado em R$ 1,1 bilhão e o início de operação da usina está previsto para 2016.

Segundo a AES Tietê, a termelétrica é a principal forma de a empresa conseguir atender as exigências do edital de privatização de expandir a capacidade instalada em território paulista em 15%. Vale lembrar que a empresa tinha até 2008 para adicionar 400 MW. Como o prazo não foi cumprido, o estado de São Paulo conseguiu uma liminar em agosto último da Justiça determinando que a empresa apresente o cronograma de investimentos no estado até o fim deste mês. A AES Tietê prometeu recorrer da decisão judicial.

O diretor da Área de Novas Tecnologias do Sinergia CUT  Paulo Robin, que também é trabalhador da AES Tietê, pondera que a única cidade que está a favor do projeto é Canas, uma vez que, com a implantação da termelétrica terá seu orçamento anual dobrado . “O Sinergia CUT foi sempre contra as termelétricas e defende a utilização das energias renováveis. Estaremos levando todas as denúncias aqui apresentadas para o Conselho de Administração da AES Tietê”, afirma.


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