Ato político marca o aniversário de um ano das 135 demissões no Call Center da CPFL

Ato político marca o aniversário de um ano das 135 demissões no Call Center da CPFL
09 novembro 08:49 2011 Débora Piloni

Trabalhadores demitidos em 04 de novembro de 2010 protestam em frente à sede da holding pelo descumprimento da decisão judicial que determina a reabertura do Call Center em Campinas. Sinergia CUT cobra na Justiça pagamento de multa de mais de R$ 10 milhões

04 de novembro de 2010. Uma data? Um dia histórico?

Para  135 trabalhadores do Call Center a amarga recordação de um dia em que injustiças foram cometidas. 135 demissões. 135 desempregados de uma só vez. 135 arbitrariedades realizadas por uma única empresa: a grande CPFL.

04 de novembro de 2011. Frustrações.

Um ano depois do fatídico dia, a holding continua provando sua intransigência até mesmo perante à Justiça. Vale lembrar que em novembro de 2010, logo que foram anunciadas as 135 demissões, o Sinergia CUT entrou na Justiça e conquistou a primeira vitória:  uma liminar que impedia as demissões em razão da chamada “reestruturação do Call Center”. Em dezembro, em audiência no TRT da 15ª Região, ficou definido que a CPFL deveria cumprir a liminar da 10ª Vara do Trabalho, mantendo  os contratos de trabalho e cumprindo suas respectivas cláusulas, incluindo o pagamento de salários e os demais benefícios.

Mesmo assim, sofrendo grande pressão por parte da empresa, 61 dos demitidos decidiram assinar a rescisão.

Sem trabalho. Sem direitos
Os demais 74 continuam no processo, à disposição da empresa. Porém, permanecem sem os direitos de qualquer um dos trabalhadores da holding. Sem crachá, estão impedidos de entrar nas dependências da CPFL até mesmo para resolver assuntos relacionados ao RH. Também não podem, por exemplo,  ir ao banco, à biblioteca, à academia. E mais: estão sem intranet e, com isso, não têm nem como solucionar de forma prática qualquer outra pendência com a empresa. Ou seja, o tratamento a esses atendentes parece o mesmo oferecido a qualquer visitante que chega na CPFL. Lamentável.

Caso e vitória no tribunal
Muito mais do que lamentar, Sindicato e os trabalhadores demitidos iniciaram uma grande batalha para reverter a situação. E, em janeiro de 2011, mais uma vitória na justiça. Em decisão judicial de primeira instância, o juiz  da 10ª Vara do Trabalho de Campinas, Henrique Macedo Hinz, concedeu ganho de causa à ação movida pelo Sinergia CUT, solicitando a manutenção do Call Center em Campinas.

A sentença determinou que a CPFL está proibida de transferir as atividades de Call Center para a  CPFL Atende ou para outra empresa que explore esse serviço. Essa atividade deveria permanecer em Campinas, sendo executada por trabalhadores do quadro próprio, sob a representação do Sinergia CUT.

O juiz estabeleceu ainda que, no serviço de Call Center, deve ser mantida a quantidade de trabalhadores existentes até 01 de fevereiro de 2010 com a rotatividade determinada em ACT. Mais: a empresa tem que  garantir aos trabalhadores que não tiveram seus contratos de trabalho extintos a manutenção dos salários e todos os benefícios. 
Porém, apesar da decisão judicial, até agora a CPFL não reabriu o Call Center em Campinas. Em face ao descumprimento pela empresa, o Sindicato entrou com uma ação de execução solicitando o pagamento da multa que já ultrapassa o valor de R$ 10 milhões. A Justiça, então, determinou que a empresa se manifestasse, o que já ocorreu. O processo, então, voltou para nova definição do juiz, a qual o Sinergia CUT aguarda.

Confira a galeria de fotos da luta em 2010 e 2011

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