Sinergia CUT na luta contra as privatizações no setor elétrico

Sinergia CUT na luta contra as privatizações no setor elétrico
22 novembro 11:54 2011 Cecília Gomes, com informações de Isaías Dalle

Dirigentes do Sindicato participaram do lançamento de uma campanha em defesa da renovação das concessões e contra as privatizações no setor elétrico, realizado na cidade de Paulo Afonso (BA) pela FNU

Todos Pela Energia – Privatização não é Solução”. Este é o mote da campanha lançada na última sexta (18), no município de Paulo Afonso (BA), que contou com a participação do Sinergia CUT. Os dirigentes Wilson Marques, Paulo Robin e o presidente do Sindicato Jesus Francisco Garcia acompanharam a programação que contou com um seminário e a as contribuições sindicatos cutistas do setor de energia e engajamento explícito de movimentos sociais como MST, MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e Conam (Conselho Nacional das Associações de Moradores).

O objetivo principal da campanha é pressionar o governo e conquistar a opinião pública em defesa da renovação das concessões no setor de energia elétrica e cancelamento de qualquer novo leilão de privatização.

O presidente do Sinergia CUT considera muito importante a campanha e em sua intervenção chamou a atenção para o fato de que no caso das empresas privatizadas que apresentam sérios problemas como precarização das condições de trabalho, acidentes e falta de investimentos em expansão das redes sejam responsabilizadas.

“No caso das empresas estatais, maioria neste processo de vencimento, as renovações são o melhor caminho. No entanto, os trabalhadores das empresas que já foram privatizadas e que sofrem os impactos diretos de processos de reestruturações e precarização, estes necessitam de uma resposta frente ao vencimento das concessões. Por isso, vamos bater na tecla das contrapartidas e responsabilidade social por parte das empresas.”, defende o presidente do Sinergia CUT.

O Sinergia CUT está articulando com a liderança do PT na assembleia legislativa do estado de São Paulo uma audiência pública para tratar deste tema e lançar a campanha no estado de São Paulo com a participação dos movimentos sociais e órgãos relacionados, como a Agência Nacional de Energia Elétrica.

A CUT, a FNU e os movimentos sociais defendem que a renovação das concessões já feitas e o fim dos leilões é a melhor e mais provável forma de impedir novas privatizações e de, no momento da renovação das concessões, inserir novas e mais rigorosas exigências de qualidade do serviço, planos de investimentos em expansão e manutenção por parte das concessionárias, garantia de direitos e de saúde e segurança para os trabalhadores do setor e maior transparência na gestão, o que inclui tarifas mais baratas para a população usuária.

Na cidade de Paulo Afonso e nas vizinhanças, a possibilidade de privatização provoca temor quanto a qual investidor assumiria o complexo. Para comprar a empresa por preço mais baixo e dela extrair o maior lucro possível, os prováveis investidores recorreriam a um expediente muito comum nesse tipo de processo: corte brutal de quadros profissionais, amplo recurso à terceirização de mão-de-obra e abandono de políticas sociais, como o assentamento de populações atingidas pelas obras de expansão da usina, compromisso que a Eletrobrás, estatal que controla a CHESF, ainda mantém.

“Isso provocaria uma quebra no ritmo econômico da região. Aqui, quase tudo gira em torno da CHESF, e até atividades como o comércio e o turismo estão relacionadas à usina. Entregar isso à privatização seria muito ruim para nós”, explica ao Portal do Mundo do Trabalho o prefeito Anilton Bastos (PDT), trabalhador aposentado da companhia.

O deputado federal Fernando Ferro (PT-PE), que compareceu ao lançamento, apresenta outra faceta dessa campanha contra as privatizações, que vai bem além de Paulo Afonso. “Não estamos aqui discutindo apenas a privatização da CHESF, mas como o povo brasileiro vai poder controlar o seu patrimônio. Discutir privatização é falar da crise internacional. O Brasil escapou à crise nos anos anteriores porque tinha empresas como Eletrobrás, Petrobrás, ou seja, tinha margem de autonomia e manobra para enfrentar os problemas. Aqueles países abriram mão de seu patrimônio estão hoje na mão do FMI”, afirmou o deputado.

O presidente da FNU, Franklin Moreira, destacou, durante entrevista coletiva que antecedeu o lançamento da campanha, que o governo precisa mandar um projeto ao Congresso determinando a renovação das concessões, e então a próxima etapa será pressionar os parlamentares a aprová-lo.

“Espero bom senso da presidenta Dilma, ela conhece muito bem o setor elétrico e sabe que a presença do Estado no comando é que vai garantir os investimentos necessários para a expansão da rede e também para garantir tarifas justas”, disse. “Mas é melhor que isso aconteça até o início de 2012, para que haja tempo de preparar as regras que precisam ser incluídas nos editais de renovação de concessão em 2014”, completou.

“Devemos lembrar que cobrar condicionantes, cobrar novas regras que atendam a população, é mais fácil quando se lida com o serviço público do que quando o debate é com empresa privada”, lembrou.

O encontro aconteceu em Paulo Afonso, a 470 km de Salvador, município fundado em1958, impulsionado pelas obras do complexo energético cuja primeira barragem, entre Piranhas e Sobradinho, entrou em funcionamento sobre o rio São Francisco em 1948. O simbolismo do complexo hidrelétrico de Paulo Afonso, mais o importante fato de ser uma empresa geradora de energia que escapou ao processo de privatização dos anos 1990, foram os motivos para que a FNU-CUT (Federação Nacional dos Urbanitários), com o apoio da Central realizassem o lançamento neste local.

Para conhecer todos os materiais publicitários da campanha e para assinar em defesa do manifesto pela renovação das concessões, acesse www.todospelaenergia.com.br

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