A relação entre acidentes e terceirização no setor é tema de exposição

A relação entre acidentes e terceirização no setor é tema de exposição
25 novembro 14:41 2011 Cecília Gomes

Professor destaca a importância de união de esforços para atuar na prevenção de acidentes

O engenheiro mecânico especialista em Segurança do Trabalho e Ergonomia, Rodolfo Andrade de Gouveia Vilela apresentou ao público da 2ª Reunião Colegiada Ampliada do Sinergia CUT uma análise sobre a “Terceirização e acidentes de trabalho no setor elétrico”. Vilela é mestre e doutor em Saúde Coletiva pela Unicamp, cooordenador do Cerest Piracicaba e professor livre docente na Faculdade de Saúde Pública da USP.


De maneira bastante clara, o professor falou sobre a necessidade de inverter a lógica que ainda impera no setor empresarial, de atribuir aos trabalhadores a culpa pela ocorrência de acidentes, enxergando como causas apenas os fatos ocorridos minutos antes do evento. Este tipo de visão surgiu há 90 anos e ainda é adotada por muitas empresas, que aplicam punições e treinamentos, que efetivamente não servem como prevenção. Contrapondo esta percepção, o professor apresentou a imagem de uma gravata borboleta, na qual o nó no centro simboliza o acidente. Do lado esquerdo, estão as causas imediatas. Ao lado direito, na extremidade da gravata, estão as decisões dos empresários, que são elementos que favorecem as condições para que os acidentes ocorram, mas que nunca são levadas em conta pelas empresas.


As terceirizações e restruturações adotadas pelo setor energético acabam favorecendo as condições para os acidentes porque a lógica das empresas é a de produzir mais, com menos. “Toda essa onda neoliberal, de redução de salários, pressão, jornadas excessivas afetam diretamente os trabalhadores, cujas atribuições envolvem dominar processos complexos e perigosos, como é o caso do setor de energia. A tentativa de transformar a força de trabalho em mercadoria coloca os trabalhadores em péssimas condições.”,afirma o professor.


Dados da Fundação Coge comprovam o quanto as terceirizações favoreceram a ocorrência de acidentes. “O relatório mostra que o número de acidentes com as empresas terceirizadas em 2006 é mais que o dobro do que o registrado em 1994, quando não existia a NR10”, destaca o Vilela.


Após a exposição, os dirigentes lançaram perguntas e um tema bastante latente foi o problema de assédio moral e as pressões pisológicas sofridas no ambiente de trabalho, que prejudicam a saúde dos trabalhadores.


“Tenho colegas que estão estressados por causa das pressões e vão trabalhar dopados, sob efeito de medicamentos, calmantes”, declarou um trabalhador da Elektro. Este fato exemplifica a importância de convergência de esforços para atuar efetivamente na prevenção de acidentes, compreendendo a saúde no trabalho esta ação com uma questão se saúde pública.


“A exemplo de Piracicaba, onde o Sistema Único de Saúde, o Ministério do Trabalho e Emprego, INSS e Sindicatos uniram esforços, é possível estabelecer ações conjuntas para diagnosticar a ocorrência de acidentes, fazer a prevenção e atuar na capacitação necessária para isso.”, defende o professor.


Vilela é um dos coordenadores do “Fórum de Acidentes de Trabalho: Análise, Prevenção e Aspectos Associados”, ligado à Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Saúde Pública e Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP). Além de encontros presenciais, o fórum disponibiliza material de apoio de livre acesso sobre o tema.


Entre os materiais existentes, o Modelo de Análise e Prevenção de Acidentes de Trabalho configura-se num importante instrumento, por trabalhar sobre outro ponto de vista, no qual o trabalhador é o protagonista que pensa, age e debate, construindo assim, as condições adequadas para trabalhar e atuar na prevenção dos acidentes. Este material foi entregue ao Sinergia CUT, que disponibilizará para cada uma das macrorregiões do Sindicato.

  Categorias: