Call Center CPFL: a luta continua

Call Center CPFL: a luta continua
08 fevereiro 18:36 2012 Cecília Gomes, com informações da Secretaria Geral

Não houve acordo na audiência de conciliação. Trabalhadores encaminham ao desembargador suas reivindicações por escrito. Processo segue para julgamento, ainda sem data definida.

Os trabalhadores envolvidos no processo de fechamento do Call Center da CPFL em Campinas compareceram ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região para a audiência de conciliação realizada nesta quarta (08) às 10h.

Sem acordo na audiência anterior, o desembargador Federal do Trabalho Flávio Allegretti de Campos Cooper ouviria os trabalhadores neste quarta. No entanto, foi solicitado que os envolvidos no processo respondessem por escrito (somente sim ou não) a algumas perguntas. Alguns trabalhadores pediram a palavra e manifestarem-se contra este procedimento, convencendo o desembargador a considerar uma sinopse das reivindicações de cada trabalhador. Assim, o desembargador recebeu os depoimentos que servirão de subsídio para a audiência de julgamento, ainda sem data definida.

Para a direção do Sinergia CUT, independente do resultado, os trabalhadores do Call Center da CPFL mantiveram uma postura integra e digna. “Em momento nenhum esses companheiros deixaram-se levar por uma proposta que não beneficiasse o conjunto, pensando coletivamente, participando das assembleias, assumindo a responsabilidade de buscar uma decisão justa para todos.”, destaca a direção do Sindicato.

Os trabalhadores rejeitaram em assembleia no dia 31 passado a proposta de negociação apresentada pela empresa, porque não a consideravam justa para todos. A revindicação expressa na assembleia é a de que a CPFL cumpra  a decisão da Justiça e reabra do Call Center em Campinas com os 250 postos de trabalho. No entendimento dos trabalhadores, os 30 postos oferecidos pela empresa numa possível reabertura está abaixo do que determina o processo.

Uma histórica luta contra a precarização
Todo esse histórico de luta e resistência dos trabalhadores de Call Center é reflexo de uma árdua batalha que o Sindicato vem travando contra a CPFL desde a privatização, que abriu portas para uma série de distorções nas relações de trabalho.

Uma das consequências foi a tentativa de terceirização do Call Center em 1999, substituindo o serviço de atendimento para a terceira MATEC. Na ocasião, o Sinergia CUT ingressou com ação na justiça, impedindo a terceirização da atividade e a manutenção dos postos de trabalho.

Esse processo obrigou a CPFL a assinar um acordo judicial com o Sindicato, garantindo os postos de trabalho e o Call Center como atividade fim.

Em 2010, com a intensificação da reestruturação nas empresas do setor elétrico, fundamentada na ganância e no lucro, a CPFL criou um Call Center em Araraquara e outro em Ourinhos (pagando salários bem menores aos atendentes desses locais), descaracterizando a atividade-fim.

O próximo passo da empresa foi fechar o Call Center em Campinas, momento este que o Sinergia CUT, não encontrando espaço para um processo de negociação, ingressou com ação na justiça com o objetivo de fazer cumprir o acordo judicial realizado entre as partes em 1999.

Foi deferida liminar impedindo o fechamento do Call Center em Campinas e a manutenção dos postos de trabalho. No entanto, a CPFL, passado mais de um ano e meio, não cumpriu a determinação judicial. Foram realizados vários atos políticos no portão da empresa e inúmeros questionamentos jurídicos solicitando o cumprimento da decisão.

Confira a galeria de imagens dos atos do Call Center


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