Oficina dá o pontapé inicial na luta da Campanha Salarial 2014

Oficina dá o pontapé inicial na luta da Campanha Salarial 2014
12 fevereiro 11:30 2014 Débora Piloni

Dirigentes do Sinergia CUT estão reunidos para discutir e planejar a luta dos trabalhadores do setor energético. Oficina ocorre até amanhã (13)

Com o objetivo de discutir e traçar a estratégia de luta da categoria energética para este ano de 2014, a direção do Sinergia CUT está toda reunida no hotel Nacional Inn em Campinas desde o início da manhã  desta quarta (12).

O economista Airton dos Santos, coordenador de Atendimento Técnico do Dieese, abriu os debates apresentando uma análise do cenário macroeconômico. As consequências da crise econômica internacional de 2008 foram pontuadas, já que nosso Brasil tem relações exteriores. “O nosso país está incluído no cenário global. Dessa forma, a economia brasileira não está como desejaríamos, mas também, está longe da crise que muitas outras estão enfrentando”, afirma.

Segundo ele, o Brasil continua crescendo. O ideal seria que o PIB (Produto Interno Bruto) crescesse entre 5% e 6%. Porém, esse percentual está longe disso. “Crescemos 2,7% em 2011 e 0,92% em 2012. Para 2013 a projeção é de 2,3% e para 2014, 2,7%. Nosso déficit externo não está descontrolado, porém, está subindo. Mas o desemprego aqui é dos mais baixos”, contextualiza Santos.

O economista afirma que o problema central ainda é o crescimento econômico. Fazer a indústria voltar a crescer é fundamental para melhorar bastante. “O país não dará o salto necessário para melhorar, definitivamente, o padrão de vida de todos, se a média de crescimento não atingir em torno de 5% ao ano, por um longo período. É isso que temos que buscar”, afirma.

Ele lembra, no entanto, que existem alguns empecilhos que vêm atrapalhando essa caminhada, entre eles: a taxa de juros, o câmbio, a estrutura tributária, a infraestrutura, a educação, a qualificação da mão de obra e a insuficiente taxa de crescimento.

Desafios – Por tudo isso, a política de valorização do salário mínimo e os ganhos reais de salário nas negociações são desafios para este ano nas negociações salariais. “Os aumentos reais de salários conquistados pelos sindicatos as políticas de renda do governo e a facilidade de crédito, têm dinamizado o mercado interno. Há que se atentar, também, para a melhoria da qualidade do emprego, com atenção à rotatividade, à terceirização e as questões relativas à saúde do trabalho”, finaliza o economista.

O setor elétrico e o gás natural brasileiro
A segunda mesa de debates da manhã desta quarta-feira (12) trata sobre O Cenário do Setor Elétrico e do Gás Natural Brasileiro. A exposição e o debate estão sendo conduzidos por Nivade Castro, que é coordenador do Gesel (Grupo de Estudos de Energia Elétrica) da Universidade Federal do Rio de Janeiro e por Artur Risso Neto, vice-presidente do Sinergia CUT e do Sindgasista.

Nivaldi Castro iniciou sua exposição afirmando que o setor elétrico brasileiro tem planejamento e tem investimento. “Falar o contrário disso é piada, é mentira. O setor tem mais oferta que demanda”, afirmou.

O modelo do setor é bem visto entre técnicos e especialistas. “Se as distribuidoras estão em crise financeira, a crise é conjuntural e não estrutural. Fruto dos menores índices pluviométricos dos últimos 60 anos, do calor intenso e de outros fatores. Mas, essa crise não tem nada a ver com as negociações salariais, pois diz respeito à parcela A. A negociação dos trabalhadores diz respeito à parcela B”, diz.

Sobre o cenário do gás, Artur Risso observou que, no Brasil, o setor passa por algumas dificuldades e precisa de investimentos. “O transporte do gás está prejudicada em diversas regiões do estado de São Paulo”, afirma o sindicalista. Outro assunto abordado por ele foi sobre  a diminuição da tarifa de energia elétrica impulsionada pela lei 12.783 de 2013: “Esse fato impactou diretamente o consumo do gás natural  no país”.

A Oficina de Planejamento vai até a tarde de quinta (13). Nesses dois dias, as discussões abordarão outros temas importantes como os eixos e prioridades da categoria para esta Campanha Salarial, os resultados da pesquisa de base aplicada pelo Sinergia CUT, a definição do mote desta CS,  entre outros.

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