AES Tietê lança pesquisa de Clima Organizacional … e não garante o anonimato. Trabalhadores se sentem pressionados

AES Tietê lança pesquisa de Clima Organizacional … e não garante o anonimato. Trabalhadores se sentem pressionados
22 abril 14:00 2015 Débora Piloni

“Coletar informações importantes sobre a percepção dos trabalhadores em relação aos diversos fatores que afetam os níveis de motivação e desempenho no trabalho; identificar problemas e possibilitar que a organização avalie seu momento atual e planeje ações, em um processo de melhoria contínua; criar canal de comunicação direta entre os trabalhadores e a direção da organização, onde possam manifestar suas opiniões com garantia do anonimato”. Estes não deveriam ser os verdadeiros objetivos de uma Pesquisa de Clima Organizacional aplicada pelas empresas junto ao seu quadro de pessoal? Pois é…

… mas não é bem isso que os trabalhadores da AES Tietê estão sentindo com a “pesquisa” que vem sendo implementada pela empresa nesse último mês.

De acordo com as informações recebidas pelo Sinergia CUT, a empresa iniciou o processo de coleta de dados através de pesquisa eletrônica com o simples objetivo de participar de rankings de institutos e revistas que realizam a classificação das “ Melhores Empresas Para Trabalhar”.

Não bastasse o objetivo parecer estar equivocado, no preenchimento da pesquisa os trabalhadores são induzidos a se identificar totalmente, inscrevendo seu nome, RG, CPF, entre outros dados pessoais, o que contraria totalmente um dos quesitos para o sucesso de adesão à pesquisa: o anonimato. Porque, para evitar constrangimentos e para que vejam objetivo em expressar e expor suas opiniões sem qualquer receio, de modo algum os trabalhadores de uma empresa devem ser incitados a se identificar durante o preenchimento de uma pesquisa de clima interno.

“Eles terão medo de penalizações caso preencham questões com total sinceridade expressando opiniões que podem ser contrárias à companhia”, observa a direção do Sindicato.

Procurada por dirigentes do Sinergia CUT, a AES Tietê negou qualquer represália ao trabalhador que participar do processo, alegando que a empresa internacional contratada para aplicar a pesquisa ratificou que os dados fornecidos durante o preenchimento são  confidencias e não serão divulgados no resultado final.

“Isso pode até ser verdade, mas onde estão as garantias para que o trabalhador possa responder da forma mais sincera a respeito do seu ambiente e de suas condições de trabalho sem que fique marcado pela contratante?”, questiona o Sindicato.

E as indagações do Sinergia CUT não param por aí. Se o objetivo da empresa é ser a melhor para se trabalhar, então, antes mesmo de promover qualquer pesquisa de clima, não deveria proporcionar melhores condições de trabalho, não realizando práticas de intimidação que beiram o assédio moral, não abusando das horas extras, não mantendo operadores isolados, não sendo multada pelo Ministério Público do Trabalho por descumprimento de leis trabalhistas, entre outras questões?

Porque tudo isso, que é uma realidade dentro da AES Tietê, poderia levar a geradora a fazer parte de outro ranking bem diferente do que ela pretende estar: “As Piores Empresas Para Se Trabalhar no Brasil.”

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