Sinergia CUT é contra mais aumento de tarifa para consumidores da Caiuá

Sinergia CUT é contra mais aumento de tarifa para consumidores da Caiuá
10 março 15:04 2016 Lílian Parise

Sindicato denuncia redução de pessoal, precárias condições de trabalho e grande queda na qualidade dos serviços prestados à população. Aumento tarifário é recorde

 

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Falaram em nome das entidades de trabalhadores Edmar Feliciano da Silva (presidente do Sinergia CUT), Wilson Marques de Almeida (diretor de Energia da Ftiuesp) e José Reinaldo Espanhol (direção do Sinergia CUT)

 

A população de vários municípios da região de Presidente Prudente continuará pagando muito caro pela energia elétrica fornecida pela empresa Caiuá, a primeira das quatro distribuidoras do Grupo Energisa que passa por mais uma revisão tarifária agora em março. Esse foi o principal debate da audiência pública convocada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) realizada nesta quinta-feira (10), em Presidente Prudente.

Além da Caiuá, desde 2013 o Grupo Energisa assumiu o controle acionário das distribuidoras da chamada Rede Sudeste, que têm sede também em Bragança Paulista (Bragantina), Catanduva (Nacional) e Assis (Vale Paranapanema), com uma população atendida de mais de 1,6 milhão de habitantes em 81 municípios. Só a Caiuá atende cerca de 230 mil consumidores residenciais e industriais de 24 municípios.

A audiência pública fez parte do 4º Ciclo de Revisão Tarifária envolvendo a Caiuá, com a definição dos novos valores que entram em vigor a partir de 10 de maio próximo. Para os consumidores de alta tensão (indústrias), a Aneel propôs um aumento de 4,82%, enquanto que para os de baixa tensão (residenciais) afirmou que há uma redução de 0,30% nas tarifas.

Falaram em nome das entidades de trabalhadores Edmar Feliciano da Silva (presidente do Sinergia CUT), Wilson Marques de Almeida (diretor de Energia da Ftiuesp) e José Reinaldo Espanhol (direção do Sinergia CUT). “Não é verdade. A Aneel esconde que, em apenas um ano e dois meses, todos os consumidores já vêm pagando uma tarifa altíssima mesmo diante da precariedade dos serviços prestados pela Caiuá aos consumidores da região de Presidente Prudente”, denunciaram os dirigentes.

Três aumentos em um ano e dois meses

A explicação é simples. Em um ano e dois meses, a Caiuá já passou por dois processos de aumento de tarifas – uma RTE (Revisão Tarifária Extraordinária) em março de 2015, seguida do Reajuste Tarifário Anual em maio daquele ano e agora uma nova revisão tarifária que entra em vigor em maio próximo.

Levantamento econômico do Sindicato aponta que o total de aumento nas tarifas só nesse período – caso a proposta atual da Aneel entre em vigor – resultará em um aumento acumulado de 48,34% na energia elétrica paga pelas indústrias e de 31,61% nas contas de luz dos consumidores residenciais. Nesse período, a inflação acumulada deve ficar em 12,20% pelo IPCA (acumulado março de 2015 a fevereiro de 2016 mais previsão para os meses de março, abril e maio de 2016).

“É um aumento astronômico para uma distribuidora de um grupo que flagrantemente descumpre o contrato de concessão, promove demissão em massa, aposta na precarização das condições de trabalho e coloca em risco não só os eletricitários, mas também a qualidade da energia que chega à população”, alertaram os sindicalistas. “Vale tudo em nome do lucro, que também só vem aumentando para engordar os cofres do Energisa”, concluíram.

Queda de qualidade recorde

A queda dos índices de qualidade é sentida pela população e apontada pela própria Aneel: “A empresa tem piorado o desempenho anualmente, tendo atingido em 2015 o pior valor desde 2008 no DEC – um aumento de quase 50%”. O DEC é o indicador que mede a duração da interrupção no fornecimento de energia, enquanto o FEC – avalia a frequência que a população fica sem luz. Os dois indicadores de qualidade também foram debatidos na audiência pública.