7 de setembro

Grito dos Excluídos em SP lembra vítimas da Covid-19 e repudia políticas de morte

Atos em São Paulo e Campinas reuniram movimentos populares, centrais e sindicatos

Grito dos Excluídos em SP lembra vítimas da Covid-19 e repudia políticas de morte
08 setembro 12:37 2020 Vanessa Ramos - CUT São Paulo

Com manifestantes usando máscaras e a constante orientação sobre a necessidade de distanciamento repetida pelo carro de som, a 26ª edição do Grito dos Excluídos, realizada na manhã desta segunda-feira (7), em São Paulo, teve como bandeira central a defesa da vida.

A manifestação que mirou as políticas de morte defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), excepcionalmente neste ano, não seguiu em caminhada pela Avenida Brigadeiro Luiz Antônio em direção ao Monumento às Bandeiras, como tradicionalmente ocorre. 

Para evitar aglomerações e diminuir o risco de contágio por coronavírus, o evento se concentrou na Praça Oswaldo Cruz, no início da Avenida Paulista, onde ocorreu um ato ecumênico.

Durante a atividade, os manifestantes ergueram cartazes com imagens de carteiras de trabalho, maquetes com casas para demonstrar a luta por moradia, cruzes com nomes de vítimas pela Covid-19 e, ao final, soltaram balões em homenagem às 126.736 pessoas mortas por coronavírus confirmadas até as 13h desta segunda-feira (7), de acordo com levantamento do consórcio de veículos de imprensa, a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

Dino Santos/CUT São Paulo Dino Santos/CUT São Paulo

No local, a trabalhadora ambulante Valdina da Silva, 64, carregava um carrinho com café. Presidenta da União dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Camelôs, Feirantes e Ambulantes do Brasil (Unicab), ela falou sobre a criminalização do trabalho nas ruas e destacou a falta de políticas diante da pandemia.

“O trabalho ambulante é uma resposta à crise diante da falta de criação do emprego e renda. Agora na pandemia, vivemos uma situação muito difícil. Para ter ideia, a prefeitura de São Paulo deu uma cesta básica para nós e nada mais. Muitos não conseguiram receber nem o auxílio emergencial do governo federal, mesmo tendo que sustentar toda uma família, sem emprego e sem casa para morar. Nossa principal reivindicação é que o futuro prefeito olhe por nós, crie um programa transparente, participativo, regulamente nossa categoria, faça um recadastramento dos ambulantes e dê licenciamento para o nosso trabalho. Mas que faça isso com a nossa participação”, defendeu Valdina, que trabalha há 35 anos como ambulante.

Dino Santos/CUT São Paulo Dino Santos/CUT São Paulo
Dona Valdina (primeira à esquerda) ao lado de outros trabalhadores ambulantes que atuam em São Paulo

Durante o encontro, que contou com a participação de várias lideranças parlamentares, ficou explícito que, se houver diálogo, não faltarão ideias como a ampliação do microcrédito e bancos do povo mais acessíveis ao trabalhador.

Vice-presidente da CUT São Paulo, Luiz Cláudio Marcolino, ressaltou a importância do emprego e da renda para o momento de pandemia, questões com as quais Doria e Bolsonaro não demonstram preocupação.

“Neste momento, os dois apresentaram projetos que desmontam e desestruturam o serviço público. O governo Bolsonaro quer privatizar a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e os Correios. E Doria, por meio do Projeto de Lei 529, quer o desmonte de autarquias, fundações e empresas públicas como a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo) e a FURP (Fundação para o Remédio Popular), essenciais para garantir os direitos sociais no estado. Nossa presença nas ruas é muito importante para discutir isso e lutar por emprego, renda e uma sociedade mais justa e democrática”, falou.

Coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, destacou que o Grito deste ano trata especialmente sobre a miséria, a fome e o roubo de direitos promovido por Bolsonaro.

Dino Santos/CUT São Paulo Dino Santos/CUT São Paulo

Da mesma forma que Marcolino, ele também tratou do PL 529, de 2020, e falou sobre o impacto que a redução de recursos representa para o desenvolvimento do estado.

“Estamos nas ruas para denunciar a destruição dos direitos, da democracia, das políticas sociais promovida por Bolsonaro, esse genocida, fascista, que ataca recursos naturais e direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. E que tem parceiros nessas ações como o Doria, que quer tirar mais de R$ 1 bilhão das universidades, atacando o avanço das pesquisas e da educação. Este grito é contra a privatização promovida por Doria e por Bolsonaro e contra políticas que dialogam com a morte”, defendeu.

Com a participação de movimentos sociais e sindicatos que compõem as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, durante o ato também foram destacadas as lutas das mulheres, dos povos indígenas e quilombolas, da população em situação de rua, da população negra, dos sem-terra, das pessoas encarceradas, dos sem-teto, dos atingidos por barragens, entre outros. 

Nas ruas de Campinas

Um protesto organizado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) marcou o o dia 7 de setembro em Campinas (SP). Os manifestantes se reuniram no Largo do Rosário, próximo à sede principal na cidade, e marcharam até o Largo do Pará, ambos localizados na Avenida Francisco Glicério. 

Divulgação/CUT CampinasDivulgação/CUT Campinas

A atividade contou com a participação de movimentos sociais, da subsede da CUT-SP em Campinas e de entidades sindicais de diferentes categorias como a dos trabalhadores dos Correios da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), em greve desde 17 de agosto, que também protestaram pelas ruas do centro de Campinas (SP) exigindo direitos. 

Além da passeata, os organizadores do Grito dos Excluídos em Campinas também fizeram doações de mantimentos nas ocupações Nelson Mandela e Marielle Vive.

Baixada Santista 

Na tarde desta segunda-feira (7), movimentos sociais, subsede da CUT-SP na Baixada Santista e sindicatos ocuparam as areias da praia do Gonzaga, próximo à Praça das Bandeiras, em Santos (SP). 

Respeitando o distanciamento social apregoado pelas normas de segurança, os participantes seguraram cruzes em respeito às vítimas de Covid-19 e cartazes exigindo a saída imediata do presidente Jair Bolsonaro da Presidência a República. 

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Santos (SP)

Na cidade de Itanhaém (SP), o protesto foi na Praça Carlos Betelho, 115, no centro, onde está localizada a Igreja Nossa Senhora da Conceição. Direitos sociais, emprego, renda, moradia e o fim do racismo foram algumas das bandeiras apresentadas pela militância.

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Itanhaém (SP)

Em Cubatão (SP) a manifestação ocorreu em frente à Paróquia Nossa Senhora da Lapa, localizada na Avenida Nove de Abril, 1.947, no centro. Entre os cartazes levados pelos participantes foi possível observar a luta em defesa da educação. 

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Cubatão (SP)

 
Na cidade do Guarujá (SP), a manifestação foi na Praça dos Expedicionários, na Praia das Pitangueiras, durante a manhã. A atividade contou com a participação de jovens. 

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Guarujá (SP)

Na cidade de São Vicente (SP), os manifestantes espalharam cartazes e bandeiras na Praça Coronel Lopes (Praça dos Correios), na região central. A atividade, assim como as demais, ocorreu com uso de máscaras, de forma pacífica e sem aglomerações. 

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São Vicente (SP)

Escrito por: Vanessa Ramos – CUT São Paulo

 

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