IMUNIZAÇÃO

Governo Bolsonaro apresenta plano de vacinação, mas sem data para iniciar

Projeto do governo federal foi entregue após determinação do STF. Especialistas pedem um planejamento mais detalhado

16 dezembro 13:30 2020 Redação RBA

Projeto do governo federal foi entregue após determinação do STF. Especialistas pedem um planejamento mais detalhado

Fátima Bezerra/Twitter Sem data para começar, o projeto prevê iniciar a imunização em até cinco dias após o registro ou autorização das doses pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária 0 4

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, apresentaram, nesta quarta-feira (16), o plano nacional de vacinação contra a covid-19, após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Sem data para começar, o projeto prevê iniciar a imunização em até cinco dias após o registro ou autorização das doses pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a entrega dos primeiros lotes.

O projeto do governo federal diz que a vacinação no Brasil deve ser concluída em 16 meses e a distribuição não será feita diretamente à população, mas aos estados, que serão responsáveis pelo trabalho. Nos quatro primeiros meses, as doses serão destinadas para vacinar todos os grupos prioritários e, em seguida, serão 12 meses para imunizar o restante da população.

O plano de vacinação diz que a primeira fase da distribuição vai contemplar trabalhadores de saúde, idosos com mais de 75 anos, indígenas e pessoas de 60 anos ou mais que estejam em abrigos ou asilos.

A segunda fase será destinada às pessoas de 60 a 74 anos que não estejam em instituições de longa permanência. A terceira fase da vacinação será para pessoas com comorbidades e, na quarta posição da fila de prioridade, os professores, forças de segurança e salvamento e funcionários do sistema prisional.

‘Projeto vazio’

O plano foi enviado pela Advocacia Geral da União (AGU) ao STF e diz que o Brasil “garantiu” 300 milhões de doses de vacinas por meio de três acordos. Um com a Fiocruz/Astrazeneca, que fabricará 100,4 milhões de doses até julho de 2021. Outro acordo é com a Covax Facility, que garantirá 42,5 milhões de doses. Além da compra de 70 milhões de doses da Pfizer.

Conforme o projeto, a capacidade de produção, por meio de acordo bilateral de transferência de tecnologia com AstraZeneca/Oxford, por intermédio da Fiocruz, será de 160 milhões de doses, previstas para o segundo semestre de 2021.

Entretanto, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) enviou uma carta ao STF, ainda nesta terça-feira (15), afirmando que o Plano Nacional de Imunização (PNI) contra a Covid-19 apresentado pelo Ministério da Saúde reflete apenas “medidas parciais” e “equivocadas”, e que é urgente a pasta apresentar um plano completo e “verdadeiro”.

A organização formada por profissionais da saúde afirma que há vacinas desconsideradas pelo governo federal, como a Coronavac, desenvolvida pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Eles ainda criticam a falta de transparência do Ministério da Saúde com a entidade. “A Abrasco enfatiza que a participação dos especialistas por ela indicados na construção do ‘plano’ foi esporádica, pouco sistemática e variável segundo a convocação de cada segmento e da participação de cada colaborador”, diz.

“Pra que a ansiedade?”, questionou o ministro Pazuello sobre os prazos e minimizou as criticas, durante a coletiva do governo federal, nesta quarta. “A logística é simples, e ainda temos a Força Aérea Brasileira. O cronograma de distribuição depende só do registro. Não há nada de errado sobre o que está acontecendo, estamos no caminho certo”, acrescentou.

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