A DOR E A ALEGRIA DE SER MÃE EM TEMPOS DE PANDEMIA

Vamos vencer. Somos todas Marias, sobrenome Resistência. Mães da esperança e do futuro melhor, de um Brasil mais justo, mais solidário e mais humano. Feliz Dia das Mães para todas nós!

A DOR E A ALEGRIA DE SER MÃE EM TEMPOS DE PANDEMIA
07 maio 17:36 2021 Coletivo de Mulheres do Sinergia CUT

Vamos vencer. Somos todas Marias, sobrenome Resistência. Mães da esperança e do futuro melhor, de um Brasil mais justo, mais solidário e mais humano. Feliz Dia das Mães para todas nós!

“Mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre… quem traz no corpo a marca Maria, Maria, mistura a dor e a alegria…”. Não é de hoje que a música de Milton Nascimento e Fernando Brant, eternizada pela voz de Elis Regina, se transformou em um hino e um grito à coragem e à força das mulheres na luta contra todas as dificuldades e as discriminações, sem nunca perder a vontade de vencer.

Só quem está na pele de uma Maria pode entender o que, de fato, isso significa, principalmente quando a maternidade chega, com todas as alegrias e os conflitos de ser mãe e profissional, dentro e fora de casa, tudo junto e misturado, tudo ao mesmo tempo agora. Nada disso nos tira a garra para ir à luta e proporcionar a nossas filhas e nossos filhos uma vida equilibrada, justa e digna.   

Durante décadas, conquistamos e avançamos em conquistas, apesar da desigualdade de salários e da ascensão profissional ainda existirem e continuarem injustas. Mas agora, em tempos de pandemia descontrolada e de retrocesso geral e irrestrito, resultado de um desgoverno sem compromisso com quaisquer políticas públicas, estamos enfrentando grandes embates para garantir direitos que nos permitam parir, amamentar e criar com dignidade nossas filhas e nossos filhos.

Para além da política genocida e negacionista diante do colapso sanitário e político, grave também é o estímulo ao machismo e à misoginia, agora instalado no planalto central do Brasil, que só faz crescer o preconceito, a discriminação, a violência doméstica e o feminicídio. Só em São Paulo, houve um aumento de mais de 40% de assassinatos de mulheres no primeiro semestre de 2020, situação agravada pela pandemia que obriga muitas mulheres a conviver com agressores.

A grande maioria dos agressores e dos assassinos de mulheres durante a pandemia é de namorados, maridos ou companheiros. Situação que aumentou muito também a demanda nos canais de denúncia de violência doméstica, principalmente pelo Ligue 180, central de atendimentos, informações e orientações às vítimas, além de acolhimento às mulheres em situação de vulnerabilidade.

Outro resultado direto do desgoverno federal é o aumento recorde do desemprego, que atinge principalmente as mulheres e mais especialmente as mães chefes de família. Levantamento do Dieese aponta que seis milhões de mulheres perderam o emprego ou a renda no ano passado. Mesmo as que trabalhavam na informalidade sofreram uma redução de quase três milhões de postos de trabalho.

Sem emprego, sem renda, sem um auxílio emergencial digno – muitas morando com familiares e dependentes em condições precárias -, milhares de mães estão sendo obrigadas a recorrer ao trabalho informal em plena pandemia, rompendo com o isolamento social e arriscando suas vidas para, desesperadamente, buscar o sustento da família, apesar da inflação que não para de crescer.

Já as mães que seguem trabalhando enfrentam novos e difíceis desafios há mais de um ano. As que precisam trabalhar presencialmente – trabalhadoras de serviços essenciais como nós – são obrigadas a recorrer à ajuda de familiares e ou de amigos para cuidarem de suas filhas e filhos, principalmente os de pouca idade.

As que estão em trabalho remoto, além da sobrecarga de trabalho profissional, precisam conviver com as cobranças domésticas diárias, dividir a atenção com filhas e filhos inclusive durante o expediente, além de assumir a tarefa de ajudar nas dificuldades do ensino à distância, muitas vezes sem a infraestrutura necessária de recursos materiais ou de acesso à internet.

Apesar de tanta dificuldade imposta pela pandemia, e agravada pela maior crise sanitária e econômica provocada pelo desgoverno federal, continuamos com o dom de sermos mães guerreiras, de raça e de luta, protagonistas de nossa própria história. Vamos vencer. Somos todas Marias, sobrenome Resistência. Mães da esperança e do futuro melhor, de um Brasil mais justo, mais solidário e mais humano.

FELIZ DIA DAS MÃES PARA TODAS NÓS! 

Coletivo de Mulheres do Sinergia CUT

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