Brasil registra pibinho de 1,2% no primeiro trimestre de 2021

O PIB teria reagido mais se o governo não tivesse deixado o país sem políticas de proteção à economia e social neste momento de agravamento da crise econômica, avalia Adriana Marcolino, técnica do Dieese

Brasil registra pibinho de 1,2% no primeiro trimestre de 2021
01 junho 11:27 2021 Marize Muniz

Escrito por: Marize Muniz

O Produto Interno Bruto (PIB), a soma dos bens e serviços produzidos no Brasil, cresceu apenas 1,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao último trimestre do ano passado, chegando a R$ 2,048 trilhões, segundo dados do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais divulgados nesta terça-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Com o resultado, o PIB voltou ao patamar do quarto trimestre de 2019, período pré-pandemia, mas está 3,1% abaixo do ponto mais alto da atividade econômica do país, alcançado no primeiro trimestre de 2014, antes do golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff.

De acordo com o IBGE, esse é o terceiro resultado positivo, depois dos recuos no primeiro (-2,2%) e no segundo (-9,2%) trimestres de 2020, quando a economia encolheu 4,1%, afetada não só pela pandemia, mas também pela falta de políticas públicas do governo de Jair Bolsonaro. 

“Talvez o governo e setores do mercado comemorem esse 1,2%, falando em retomada da economia. Agora, considerando que o tamanho da queda de 2020, era para o PIB ter reagido um pouco mais”, avalia a técnica da subseção do Dieese da CUT Nacional, Adriana Marcolino.

De acordo com Adriana, o PIB teria reagido mais se o governo Bolsonaro não tivesse deixado o país sem políticas de proteção à economia e social neste momento de agravamento da crise econômica causado pela pandemia do novo coronavírus. A técnica citou entre essas políticas os meses em que os desempregados e informais ficaram sem o auxilio emergencial, que só voltou a ser pago em abril, mas com valores muito mais baixos, o apoio aos setores produtivos, comércio e pequenos negócios e investimentos na geração de emprego.

“O governo preferiu cortar esses direitos e só retomou parte das políticas públicas a partir de abril. Isso pode ter contribuído para o PIB crescer menos do que poderia”, afirma a técnica do Dieese.

“Esse resultado [1,2%] revela que a economia ainda não tem capacidade de reagir a forte queda que sofreu no ano passado”, concluiu.

De acordo com o IBGE, contribuíram para a leve alta da economia brasileira, a agropecuária, com 5,7%, a indústria (0,7%), os serviços (0,4%), as indústrias extrativas (3,2%), a construção (2,1%) e a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (0,9%).

O único resultado negativo foi das indústrias de transformação (-0,5%). 

Nos serviços, que contribuem com 73% do PIB, houve resultados positivos em transporte, armazenagem e correio (3,6%), intermediação financeira e seguros (1,7%), informação e comunicação (1,4%), comércio (1,2%) e atividades imobiliárias (1,0%). Outros serviços ficaram estáveis (0,1%).

“A única variação negativa foi a da administração, saúde e educação pública (-0,6%). Não está havendo muitos concursos para o preenchimento de vagas e está ocorrendo aposentadoria de trabalhadores, reduzindo a ocupação do setor. Isso afeta a contribuição da atividade para o valor adicionado”, explicou a a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Mais dados na Agência IBGE.

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