Sem dar a mínima para 3ª onda da Covid, Bolsonaro autoriza Copa América no Brasil

Para jornalista Juca Kfouri, do Entre Vistas, da TVT, decisão do presidente é um "tapa na cara das autoridades sanitárias do mundo inteiro" e “mais uma demonstração de irresponsabilidade de um governo genocida”

Sem dar a mínima para 3ª onda da Covid, Bolsonaro autoriza Copa América no Brasil
01 junho 10:13 2021 Redação CUT

 Escrito por: Redação CUT

Apenas um dia após a Argentina cancelar a realização da Copa América por causa do agravamento da pandemia do novo coronavírus, a Confederação Sul-Americana de Futebol, mais conhecida como Conmebol, anunciou que o evento será realizado no Brasil, país que registra o segundo maior número de mortos pela Covid-19 do mundo.

“O governo do Brasil demonstrou agilidade e capacidade de decisão em um momento fundamental para o futebol sul-americano”, disse o presidente da Conmbeol, Alejandro Domínguez, que fez questão de agradecer a presteza do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL).

A rapidez de Bolsonaro para resolver o problema da Conmebol contrasta  com a lerdeza para combater a pandemia. Bolsonaro ignorou dez e-mails e ofertas de 70 milhões de doses de vacinas da Pfizer contra Covid-19 e demorou seis meses para decidir comprar a CoronaVAc, produzida pelo Instituto Butatan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. Se tivesse comprado as vacinas teria evitado ao menos 95 mil mortes, segundo cálculos conservadores do epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (RS). 

A Colômbia já tinha desistido de realizar a Copa América por causa dos protestos que começaram há um mês no país contra a reforma tributária, cresceram e passaram a incluir mais empregos, maior acesso à saúde e à educação e a implementação de uma renda básica mínima durante a pandemia. Quando a Argentina desistiu por causa do aumento do número de casos e mortes por Covid-19, os dirigentes da Confederação logo pensaram no Brasil, que tem mais casos e mortes que a Argentina, mas tem um presidente pouco preocupado com o problema.

A solução foi rápida, bastou ligar para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que pediu ao presidente e, pronto, em uma manhã tudo estava resolvido. Bolsonaro autorizou e a Conmebol agradeceu por ele “abrir as portas” do Brasil para a realização da Copa América deste ano, apesar da terceira onda da pandemia que, segundo os especialistas, está chegando antes do previsto ao país.

Segundo os jornalistas da área esportiva, a entidade pediu ao Brasil para receber o torneio, entre outros motivos, porque tem esperança de que haja liberação para público ao menos na final – nem que seja só para convidados, como ocorreu na decisão da Libertadores, entre Palmeiras e Santos, dia 30 de janeiro no Maracanã. Hoje os jogos de futebol no Brasil estão sendo realizados com os portões fechados por causa da Covid-19

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), já vetou a realização de partidas da Copa América em todo o estado por conta da Covid-19.

A prefeitura de Porto Alegre, o Governo do Estado e a Federação Gaúcha de Futebol terão uma reunião ainda nesta segunda-feira (31) para discutir a possibilidade da capital receber jogos da Copa América.

O prefeito Sebastião Melo (MDB) é a favor. Já o governador Eduardo Leite (PSDB) é contra.

Por enquanto, a Conmebol anunciou que só o Estádio Mané Garrinha, em Brasília, está confirmado para receber a partida de abertura do evento, no dia 13 de junho.

Para o colunista Juca Kfouri, do UOL, que também é apresentador do programa Entre Vistas, da TVT, a realização da Copa América no Brasil é um “tapa na cara das autoridades sanitárias do mundo inteiro”.

“É mais uma demonstração de irresponsabilidade de um governo genocida. Nosso caso da pandemia é mais grave que o da Argentina e da Colômbia, mas nós abrimos a porta para cometer essa irresponsabilidade”, criticou ele durante o UOL News.

Reação no parlamento

A transferência de última hora da Copa América para o Brasil provocou reações imediatas de parlamentares nas redes sociais e vai pelo menos um disse que caso vai parar no Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) afirmou ao Congresso em Foco que entrará com um mandado de segurança para impedir a realização do torneio no país, que é o segundo em número de mortes por covid-19, com mais de 465 mil óbitos até o momento.

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP), também indicou que vai recorrer ao Supremo. “Copa América no Brasil será o maior torneio MATA-MATA da história. Vou buscar, como deputado, todas as medidas, inclusive judiciais, para evitar esta tragédia!”, publicou o petista no Twitter.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid que apura ações e omissões de Bolsonaro no combate a pandemia, disse que é um campeonato da morte.

Também por meio da rede social, Padilha disse que enviou oficio ao governador de Sõ Paulo, João Doria, pedindo que ele impeça a realização de jogos no estado.

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