Covid-19

Médicos detonam “discurso de morte” de Bolsonaro sobre não uso de máscara

Para o povo deixar de usar a máscara, como quer Bolsonaro, país precisaria vacinar 70% da população. Sem máscara e distanciamento social, Brasil pode ter um número catastrófico de mortes e casos de Covid-19

Médicos detonam “discurso de morte” de Bolsonaro sobre não uso de máscara
11 junho 17:18 2021 Walber Pinto | CUT

Com a pandemia do novo coronavírus descontrolada, quase meio milhão de vidas perdidas e a vacinação lenta, recomendar o não uso de máscaras, como defendeu o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) nesta quinta-feira (10), é fazer “discurso de morte”, dizem autoridades e especialistas da área da saúde.

Eles rechaçaram veementemente a fala de Bolsonaro que disse ontem que o ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga, está estudando uma portaria para desobrigar o uso de máscara de quem foi vacinado contra a Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, e também dos que já contraíram o vírus e sobreviveram.

O presidente, que sempre defende medidas contrarias à ciência, ignora as mais de 482 mil vítimas da doença que segue  acelerada – em apenas 24 horas, 2.344 brasileiros perderam a vida e 89.802 foram infectadas. O total de pessoas contaminadas chegou a 17.215.159 milhões.

A fala de Bolsonaro de não uso de máscaras com este cenário,  chocou sanitaristas e lideranças políticas que, de imediato, rebateram mais uma declaração negacionista do presidente. Especialistas avaliam que a fala de Bolsonaro é um “perigo de morte”, no momento em que o Brasil já sinaliza uma terceira onda da doença que pode ser mais letal. Além disso, o país não fez a lição de casa em um ano e meio de pandemia e, por conta disso, ainda sofre as consequências da má administração do governo federal na maior crise sanitária do século.

O Brasil ainda não atingiu a imunidade de rebanho para tomar  uma decisão como essa. Especialistas dizem que 70% da população precisar estar vacinada para se falar em controle da doença. E, e sem as medidas necessárias, como uso de máscara e distanciamento social, país pode ter um número catastrófico de mortes e casos da doença.

“Isso é mais um golpe de negacionismo, deixar as pessoas tentarem a imunidade de qualquer jeito, com muito mais mortes. Só no nosso país estão acontecendo essas coisas”, afirma o médico infectologista Marcos Boulos, em entrevista à Carta Capital, denunciando o “discurso de morte” do ocupante do Palácio do Planalto.

 “As pessoas, mesmo vacinadas, podem estar assintomáticas e transmitindo. Então, todos têm de usar máscara até que consigamos ter a imunidade populacional, a chamada imunidade de rebanho, e isso provavelmente só acontecerá próximo do fim do ano”, disse o doutor Boulos.

Com a vacinação lenta porque o governo Bolsonaro ignorou todos os emails de compras da vacina no ano passado, o uso de máscaras pela população é necessário mesmo para aqueles que já foram vacinados contra a Covid-19 e para quem se recuperou da doença.

O sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, chamou a declaração do presidente de criminosa. “É uma posição próxima de criminosa. Quem já teve a doença, está provado, pode ter a doença novamente”, disse ao Estadão.

No mundo, Israel e os Estados Unidos são alguns dos países em que vacinados também não são obrigados a usar máscara. Lá, segundo balanço do Our World in Data, 59,4% da população já recebeu as duas doses da vacina. Nos EUA, 42,15%. Já no Brasil, apenas 11,06% das pessoas estão completamente imunizadas.

Alta de casos da doença

No Brasil, a alta taxa de transmissão do vírus e a média móvel de casos da doença acima de 50 mil por dia, ainda não permitem que a população deixe de usar as máscaras neste momento.

Dez capitais brasileiras registram ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) acima de 90%. Nos últimos sete dias, a média diária de casos foi de 58.990 por dia e a de mortes, de 1.714.

A situação se agravou nos últimos dias em Curitiba, Campo Grande, Aracaju, São Luís, Recife, Natal, Fortaleza, Maceió, Santa Cataria e Mato Grosso do Sul já apresentavam taxa de ocupação de leitos de UTIs igual ou superior a 90%, segundo levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo.

Essa tendência de alta procura por leitos intensivos da Covid-19 pode ser observada em outras capitais brasileiras que têm ocupação acima de 80% e 70%.

Fala de Bolsonaro repercutem nas redes

A fala do presidente repercutiu imediato nas redes sociais. A frase “Use máscara e tire o Bolsonaro” ficou entre os assuntos mais comentados nas redes. Personalidades políticas, artistas e várias organizações sociais repudiaram a fala de Bolsonaro.

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Escrito por: Walber Pinto | CUT

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