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Bolsonaro nomeia indicado de Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal

Nomeado é subordinado de Alexandre Ramagem, barrado pelo STF a assumir o cargo na PF

Rolando Alexandre

Redação RBA

Nomeado é subordinado de Alexandre Ramagem, barrado pelo STF a assumir o cargo na PF
Marcio Ferreira/Governo de Alagoas

Após a nomeação de Rolando, parlamentares e líderes políticos de oposição criticaram a decisão do presidente. Na avaliação deles, Bolsonaro tenta aparelhar, indiretamente, a direção geral da PF
Rolando é delegado da Polícia Federal e, desde setembro de 2019, atua como secretário de Planejamento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), comandada por Ramagem. Ele começou a carreira na PF em Rondônia, onde conheceu Ramagem. Lá, atuou no setor de repressão a crimes financeiros e também foi corregedor da corporação no estado. Em Brasília, na sede da PF, foi chefe do Serviço de Repressão a Desvios de Recursos Públicos.

Enrolando

Na semana passada, Bolsonaro nomeou Ramagem, ligado à sua família, para o cargo, mas foi obrigado a recuar depois da decisão do STF. Alexandre de Moraes acatou pedido do PDT, que argumentou que as relações entre Bolsonaro e Ramagem poderiam resultar em interferência do presidente na instituição.
No final do mês de abril, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro pediu demissão e afirmou que Jair Bolsonaro estava tentando fazer interferências políticas na PF para frear inquéritos contra seus aliados e obter informações de inteligência do órgão.
Na decisão, Moraes destacou que sua suspensão da nomeação de Ramagem era cabível, pois a PF não é um “órgão de inteligência da Presidência da República”, mas sim “polícia judiciária da União, inclusive em diversas investigações sigilosas”.

Críticas

Após a nomeação de Rolando, parlamentares e líderes políticos de oposição criticaram a decisão do presidente. Na avaliação deles, Bolsonaro tenta aparelhar, indiretamente, a direção geral da PF.
“Bolsonaro nomeou Rolando Alexandre, assessor de Ramagem na Abin, para dirigir a PF. Ou seja, em vez do amigo do Carluxo, o sub do amigo do Carluxo. Apequena a Polícia Federal e mantém a linha de usá-la como braço político”, disse Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MST).
Já o deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ) afirma que o presidente “segue com seus ataques para tentar transformar a corporação numa polícia a serviço de sua família”.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que havia pedido o fim da nomeação de Ramagem na Justiça, também criticou a nova decisão do presidente. “Bolsonaro agora afronta decisão do STF ao nomear o braço direito de Ramagem. Bolsonaro continua tentando transformar a PF em sua polícia política para interferir em investigações!”, publicou em rede social.