Truculência

Em meio à pandemia, governo de SP faz reintegração de posse em Piracicaba

Durante a ação, PM tentou prender deputada Professora Bebel, que tentava impedir a destruição das moradias e proteger as famílias de ficarem nas ruas aumentando os riscos de contágio com a Covid-19

Em meio à pandemia, governo de SP faz reintegração de posse em Piracicaba
07 maio 14:13 2020 Redação CUT

No estado com o maior número de casos confirmados (37.853) e mortes (3.045) por coronavírus, o governo de São Paulo, João Doria (PSDP), está despejando pelo menos 50 famílias da região do Taquaral, em Piracicaba, no interior de São Paulo nesta quinta-feira (7).

A reintegração de posse, determinada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, coloca em risco as famílias que ocupam a área desde janeiro e foram acordadas com tratores destruindo suas casas. A ação truculenta contou, inclusive, com tentativa de prisão da deputada Professora Bebel e do advogado Nilcio Costa, que acompanhavam as famílias.

A parlamentar estava no local para, mais uma vez, argumentar que, efetuada a reintegração, os moradores seriam obrigados a deslocar-se para casas de amigos e familiares, abrigos coletivos ou, até mesmo, perambular pelas ruas da cidade, colocando em risco a si mesmos e a outras pessoas, contrariando, assim, todas as recomendações das autoridades sanitárias e aumentando o risco de contágio pelo novo coronavírus.

A deputada Professora Bebel foi proibida de acessar o local, sofrendo ameaças  ilegal de prisão. “Represento o poder legislativo e estou em pleno exercício de meu mandato parlamentar. Não me intimido e não me intimidarei”, afirmou a deputada. Por pressão da comunidade, a prisão não foi efetuada.

Apesar de todos os apelos, a reintegração de posse seguiu adiante. De acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST, os pertences das famílias estão sendo levados para um galpão e não foi oferecida uma alternativa de alojamento para essas pessoas.

“Continuamos ao lado dessas famílias e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para auxiliá-las e ampará-las. Elas precisam, no mínimo, de um alojamento digno onde possam permanecer durante essa pandemia”, alertou a deputada Professora Bebel.

Em ofício, a Casa de Cultura Hip Hop e mais 25 grupos, entre partidos políticos, entidades, coletivos e centros acadêmicos pediram intervenção da prefeitura no caso.

No documento, eles argumentam que o despejo dificultará ainda mais ações de isolamento social em meio à pandemia.

“Tirar essas famílias de suas moradias é como coloca-las frente à doença que todos tememos, é um assassinato coletivo e a Prefeitura não pode ser conivente com tal ação ameaçadora”, diz um trecho do documento.

“Essas famílias são atendidas no trabalho de distribuição de alimentos da Casa do Hip Hop, em parceria com a sociedade civil e a prefeitura, por isso, temos como dever proteger e assegurar não apenas a alimentação, mas também o direito à moradia, saúde e segurança”, acrescentam as entidades.

Veja vídeo:

Com apoio da assessoria da Professora Bebel. 

 

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