Desastre à vista

Risco de colapso na saúde leva São Paulo à fase vermelha da quarentena contra a covid

Na fase vermelha, apenas os serviços essenciais podem funcionar, como supermercados, delivery, farmácias, hospitais e postos de combustíveis. Escolas permanecem abertas, assim como igrejas

Risco de colapso na saúde leva São Paulo à fase vermelha da quarentena contra a covid
03 março 14:35 2021 Rodrigo Gomes, da RBA

São Paulo – Com risco iminente de colapso na saúde, o governador paulista, João Doria (PSDB), decretou hoje (3) que todo o estado de São Paulo vai entrar na fase vermelha da quarentena a partir da 0h do próximo sábado (6). A medida vale até o dia 19 de março, quando o resultado será reavaliado. Ontem, o estado registrou 468 mortes por covid-19, o maior número de toda a pandemia. Também foram registradas 2.005 internações, um aumento de 19,2% em apenas uma semana. Apesar disso, o número de novos casos segue estável, indicando que os quadros dos pacientes estão mais graves.

Hoje, São Paulo tem 16.635 pessoas internadas com covid-19, sendo 9.225 em enfermaria e 7.410 em unidades de terapia intensiva (UTIs). A taxa de ocupação em UTI chegou a 75,3% em todo o estado. Na Grande São Paulo, a taxa é de 76,7%. Araraquara (92,2%), Barretos (80,5%), Bauru (95,8%), Campinas 78,3%, Marília (80,6%), Presidente Prudente (90,4%), Ribeirão Preto (81,3%), São José do Rio Preto (81,6%) e Sorocaba (78,6%) são as regiões que já estavam com índices de fase vermelha.

Segundo o secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchetyn, na última semana foram 100 novas internações em UTI por dia e, apenas ontem, houve 901 pedidos de internação no Centro de Regulação e Organização de Serviços de Saúde (Cross). Ele disse ainda que serão implementados 500 novos leitos de internação para pacientes com covid-19, sendo 339 em UTI e 161 em enfermaria.

Na fase vermelha, apenas os serviços essenciais podem funcionar, como supermercados, delivery, farmácias, hospitais e postos de combustíveis. Bares, restaurantes, academias, shoppings, comércio e serviços em geral não podem abrir. No entanto, as escolas permanecerão abertas, embora a presença dos estudantes não seja obrigatória. A decisão é contraditória, já que o aumento de internações bate com o período da volta às aulas.

Regras de funcionamento da fase vermelha da quarentena em São Paulo

Apesar disso, o secretário de estado da Educação, Rossieli Soares, recomendou que quem puder acompanhar as atividades escolares de forma remota deve passar a fazê-lo. “As escolas permanecerão abertas para quem precisa”, afirmou Soares, exemplificando com estudantes que necessitam da alimentação escolar ou têm dificuldade de acompanhar as aulas remotas. Os professores, que já registraram 1.780 casos de covid-19 nas escolas, seguem obrigados a ir.

Outra medida contraditória é a permissão de funcionamento das igrejas, que podem manter seus cultos com até 30% da capacidade do espaço e com uso de máscara o tempo todo. No entanto, a maioria das igrejas de bairro são espaços pequenos, com pouca ventilação e, como é comum às religiões, com cantos em coro, o que pode potencializar a transmissão do novo coronavírus. Os parques públicos, porém, serão todos fechados.

Capital paulista

A cidade de São Paulo registrou ontem (2) seis hospitais estaduais com 100% de ocupação dos leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) para pacientes com covid-19. A taxa geral de ocupação de UTI chegou a 78,1% ontem, a maior taxa de internação desde 4 de junho do ano passado. Houve aumento de 19% nas internações na última semana. Com esses índices, a capital paulista pode ter um colapso no sistema de saúde em duas semanas.

Os hospitais com 100% de ocupação de UTI para covid-19 na cidade de São Paulo são: Vila Nova Cachoeirinha, Vila Alpina, São Mateus, Ipiranga, Dante Pazzanese e Guaianases. O Hospital Municipal da Brasilândia, na zona norte, tem 96% dos leitos ocupados. Os dados do Simi indicam que há 2.463 pessoas internadas na capital paulista.

Na rede privada da cidade de São Paulo, a ocupação de UTI para covid-19 varia de 80% a 95%. O Hospital Israelita Albert Einstein chegou a 99% de ocupação de UTI na última sexta-feira (26). No Hospital do Coração (HCor) a ocupação estava em 90% no mesmo dia. A unidade do Sírio-Libanês na cidade informou taxa de ocupação de UTI de 96%. E o Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo informou ter 98% de ocupação na UTI e 94% na enfermaria.

Por Rodrigo Gomes, da RBA

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