Preços da cesta básica aumentam mais que a inflação em todo o país lilian 6 de julho de 2022
Preços da cesta básica aumentam mais que a inflação em todo o país

São Paulo – Os preços dos produtos da cesta básica, calculados pelo Dieese, seguem sua tendência de alta. Em junho, o valor subiu em nove das 17 capitais pesquisadas. No primeiro semestre e em 12 meses, o aumento é generalizado, segundo a pesquisa divulgada nesta quarta-feira (6).

No mês passado, o preço médio da cesta aumentou em Aracaju, Belém, Brasília, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. E teve queda em Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Porto Alegre, São Paulo e Vitória. De janeiro a junho, o Dieese registra alta em todas as capitais, de 4,66% (Vitória) a 15,53% (Natal).

Quase 60% da renda líquida

O trabalhador que ganha salário mínimo comprometeu 59,68% de sua renda líquida com os produtos da cesta básica. Mais do que em maio (59,39%) e do que em junho do ano passado (54,79%). O tempo médio de trabalho para comprar todos os produtos aumentou para 121 horas e 26 minutos.

Entre o produtos, o leite integral e a manteiga subiram de preço nas 17 capitais tanto em junho como em 12 meses. No caso do leite, o aumento acumulado chegou a 48,89% em Belo Horizonte.

Laticínios, pão, café

“O período de entressafra e o impacto da estiagem nas pastagens reduziram a oferta do leite que, somada aos altos custos de produção, com alimentação do gado e medicamentos, resultaram em elevação do preço do produto no campo”, analisa o Dieese. “Do lado da demanda, tem havido disputa entre as indústrias de laticínios na compra da matéria-prima para a produção dos derivados lácteos. Todos esses fatores ocasionaram a alta dos preços médios do leite UHT e da manteiga. Vale destacar o impacto da desvalorização do real frente ao dólar no preço da manteiga, uma vez que parte do que é consumido no Brasil, é importada.”

Já o preço do quilo do pão francês subiu em 15 das 17 cidades no mês passado. E em todas nos últimos 12 meses, chegando a 30,32% em Salvador. “Apesar do preço internacional estar em queda, no Brasil, a baixa oferta de trigo no país e a taxa de câmbio desvalorizada elevaram o preço do grão e dos seus derivados.”

O quilo do feijão carioquinha teve preço maior em todas as cidades onde é pesquisado (regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Belo Horizonte e São Paulo). Em 12 meses, chega a subir 40,96% (Goiânia). Já o preço do feijão preto caiu (capitai s do Sul, Rio de Janeiro e Vitória).

Segundo o Dieese, o preço do quilo do café em pó cresceu em 13 capitais. E nas 17 considerando o período de 12 meses, com variação de 105,16% em Vitória. “Apesar do avanço da colheita, a oferta foi menor e o preço seguiu com tendência de alta”, explica o Dieese. E a batata caiu de preço no mês, mas tem alta generalizada em um ano, somando 30% em Salvador.

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