Em entrevista, Lula analisa e traça os desafios do movimento sindical para o Século 21

Em entrevista, Lula analisa e traça os desafios do movimento sindical para o Século 21
29 abril 17:09 2019 Elias Aredes Junior

Na entrevista concedida na sexta-feira, na sede da Policia Federal para os jornalistas Florestan Fernandes, do El País e também para Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o ex-presidente da República aproveitou a oportunidade para fazer análise sobre os rumos do movimento sindical no Brasil.

Para começar, Lula fez questão de alertar de que os dirigentes sindicais devem ficar alertas em relação a conjuntura econômica, política e social no Século 21. “A classe trabalhadora mudou. A classe trabalhadora de 2020 não é mais a classe trabalhadora de 1980. Mudou profissionalmente, intelectualmente. Hoje o trabalhador não tá mais na fábrica, ele trabalha fora. Ele trabalha em casa, fazendo bico. Não tem mais aquela classe trabalhadora concentrada dentro de uma fábrica como tinha antes”, analisou Lula durante a entrevista.

Na sua visão, os trabalhadores não estão mais confinados em guetos. “Hoje o cara está no shopping, não tem condições de se unificar porque cada loja é uma loja. Então está muito mais difícil fazer sindicalismo hoje”, admitiu o presidente.

Ele aproveitou a oportunidade para relembrar como era totamente diferente a ação sindical nas décadas de 1980 e 1990. “Eu ia na porta da Volkswagen em 80 e eram 40.000 trabalhadores. Hoje, aquela Volkswagen são apenas 12.000; é um desmonte daquela fábrica. O mundo do trabalho mudou radicalmente e enquanto isso temos que repensar como reorganizar a classe trabalhadora”, advertiu.

De modo assertivo e consciente, Lula afirmou que o trabalhador do Século 21 atua por conta própria, em casa e  não tem mais a mesma consciência de classe da época em que ele presidente do Sindicato dos Metalurgicos do ABC. “Então o papel do movimento sindical agora é tentar reorganizar a classe trabalhadora. A Volks tem mais metalúrgico fora do que dentro. Então o movimento sindical tem uma tarefa forte de descobrir o novo discurso e uma nova razão para a sua existência”, arrematou o ex-presidente.

(Elias Aredes Junior)

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