“Em meio ao caos, a retomada democrática se faz essencial em 2022. Há uma onda de esperança”, apontam deputada federal e médico sanitarista na Reunião Colegiada do Sinergia CUT

Encontro reúne dirigentes de forma virtual entre essa sexta (09) e sábado (10). Abertura contou com participação da deputada federal Gleisi Hoffmann e com o médico e professor universitário Pedro Tourinho

“Em meio ao caos, a retomada democrática se faz essencial em 2022. Há uma onda de esperança”, apontam deputada federal e médico sanitarista na Reunião Colegiada do Sinergia CUT
09 abril 15:47 2021 Débora Piloni

Encontro reúne dirigentes de forma virtual entre essa sexta (09) e sábado (10). Abertura contou com participação da deputada federal Gleisi Hoffmann e com o médico e professor universitário Pedro Tourinho

Dirigentes do Sinergia CUT participaram na manhã desta sexta-feira (09) da abertura da Reunião de Direção Colegiada do Sindicato. Em tempos de pandemia da Covid-19, isolamento social e visando a proteção de todos os dirigentes sindicais e participantes envolvidos, o encontro, que transcorre até o final da manhã deste sábado (10), acontece de forma remota, através da plataforma Zoom Meetings.

Depois das boas-vindas e saudação inicial feitas pelo presidente do Sinergia CUT, Carlos Alberto Alves, o encontro começou com um debate sobre os “Cenários e desafios da Classe Trabalhadora e a pandemia no Brasil”, sob a perspectivas para a saúde, o trabalho e a economia.

Para esse primeiro ciclo, dois convidados especiais: a deputada federal e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) Gleisi Hoffmann e o médico sanitarista e professor universitário Pedro Tourinho, com mediação da secretária geral do Sinergia Campinas, Cibele Granito Santana.

Gleisi Hoffmann, deputada federal e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) – Foto: Roberto Claro

Gleisi destacou o importante e recente fato vivenciado no meio político e jurídico que foi a anulação das condenações do ex-presidente Lula no âmbito da Operação Lava Jato, decidida em março passado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e que teve repercussões em diversas esferas.

“Foram cinco longos anos de luta e essa vitória deu uma força muito grande a todos nós. A classe trabalhadora volta a ter esperança. Pode sonhar com um Brasil melhor, a partir de um plano nacional de recuperação da economia, da geração de empregos e do respeito individual e coletivo”, declarou.

A partir desse episódio, segundo a deputada, muitas repercussões aconteceram. Toda a política e o governo federal ficaram mexidos. “Porém, é um vai e vem. Essa luta não terminou. O STF marcou para 14 de abril o julgamento dos recursos contra a decisão do ministro Edson Fachin. Continuamos na batalha pela justiça completa!”, afirmou.

Terra arrasada. A privatização das estatais foi um dos focos da fala de Gleisi. Segundo ela, a energia é questão estratégica para o Ministério da Economia.  “A Eletrobras está na grande mira e querem fatiá-la. Mas há também a Caixa Federal, a Petrobras, o Banco do Brasil, os Correios. Estamos trabalhando contra isso, mas é preciso a mobilização de todos, um enorme jogo de pressão para tentar reverter a situação. Temos que pressionar o Congresso e ir para cima. Todos juntos contra as privatizações: legisladores, sindicatos, trabalhadores!”, apelou.

Com relação à pandemia de Covid-19, a deputada ressaltou que o Brasil tem perdido uma cidade por dia, uma vez que há mais de 1.200 municípios no país com cerca de cinco mil habitantes. “Estamos perdendo mais de quatro mil vidas por dia para a Covid. Isso representa uma cidade inteira! Não há como não se revoltar com esse governo genocida! Bolsonaro é a encarnação dessa crise. Retirá-lo de lá é prioridade. E garantir a volta da esperança em 2022 é a nossa melhor e única escolha”, concluiu a deputada Gleise Hoffmann.

A Palavra de ordem é Esperança!

Pedro Tourinho, médico sanitarista e professor universitário – Foto: Roberto Claro

Pedro Tourinho, como médico sanitarista que atua na linha de frente da rede pública de Campinas, apresentou uma avaliação sobre a questão da pandemia no Brasil sob a ótica política e social. Para ele, o que está acontecendo no país é um quadro de excepcionalidade, incompatível com o resto do mundo. “O extremo caos daqui é consequência de um governo pelo qual estamos sendo regidos. Estamos sendo governados sob a égide de um golpe, sob fraude, de inspiração fascista, de entreguismo, de opressão. Assim, o resultado não poderia ser diferente”, lamentou.

A ideia de imunização de rebanho, proposta desde o início pelo atual governo federal, é imoral, segundo o médico. É uma aposta falida sob todos os pontos de vista: científico, porque não existe imunidade de rebanho, já que o vírus sofre mutação e há reinfecções; e econômico, uma vez que o governo acabou se recusando a tomar medidas mais rigorosas de proteção ao trabalhador, não oferecendo um auxílio emergencial em valores compatíveis com a realidade e necessidade dos brasileiros para fazer a economia girar.  “Assim, perdemos muito tempo com o negacionismo, comprometendo gravemente a resposta à pandemia. Agora, seguimos vivenciando o pior cenário, com perdas de centenas de milhares de vidas e milhões de casos, além do desemprego, a miséria e a fome em alta”, lamentou.

De acordo com o médico, a testagem e o lockdown seriam as medidas mais eficazes para o combate desde o início, que aqui não foram adotadas.

Esperança: “Todo esse cenário ruim mostra a importância de se fazer o debate e recolocar o Brasil no lugar onde deve estar. A perspectiva que se abre é de retirada do fascismo e a volta da democracia, da liberdade, do respiro. Temos uma tarefa para 2022, de engajamento nos processos de diálogo, união e mobilização, fortalecendo a luta para traçarmos um projeto novo para o Brasil”, afirmou Tourinho.

Segundo ele, apesar de não ser ter boas notícias a curto prazo, devido ao caos da pandemia que assola o país, a busca é pela esperança que se pode vislumbrar. “Infelizmente, ainda teremos muitas mortes e números altos de casos registrados da doença, as vacinas serão a conta-gotas, mas temos que nos encorajar e nos unir para salvar o Brasil até o ano que vem!”, terminou.

Sindicato tem lado: o lado do trabalhador! O lado do cidadão brasileiro!

Carlos Alberto Alves, presidente do Sinergia CUT – Foto: Roberto Claro

Encerrando esse primeiro ciclo de debates, o presidente do Sinergia CUT Carlos Alberto Alves, lembrou a todos sobre o papel do Sinergia CUT, que é uma entidade sindical que se organiza a partir dos locais de trabalho para a defesa dos direitos da categoria, mas atua também para ampliar a inclusão social e a conquista da cidadania para todos.

“Nesse momento ímpar que estamos vivenciando, devemos deixar muito claro para o mundo a que viemos. Temos que ter lado, discutir conjuntura política, econômica, privatização e o caos que estamos vivendo na saúde. Temos que nos dar a  responsabilidade de fazer a luta para melhorar a situação do nosso país. Somos uma entidade, composta por sete sindicatos, cuja luta vai além das Campanhas Salariais de nossa categoria. Somos um Sindicato cidadão”, desafiou.

Muita reflexão e debate ainda acontece na reunião Colegiada nesta tarde e até amanhã (10). Fique ligado!

Confira a programação completa:

Por Débora Piloni

  Categorias: